terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Desafio 37 artistas

Se tem uma coisa sobre mim que é fato, é que adoro responder a questionários, fazer listas e coisa e tal. Dia desses fui desafiada em uma publicação no site Face a postar 37 artistas/bandas que mais curto. A tarefa não foi das mais fáceis, mas cumpri! 


Maravilhoso sim
1. The Smiths
2. Arnaldo Antunes
3. Otto
4. The Strokes
5. Declinium
6. Mombojó
7. Joy Division
8. Los Hermanos
9. Moptop
10. Gram


E esse bigode é só amor
11. Belchior
12. Gonzaguinha
13. Geraldo Azevedo
14. Cícero
15. The Cure
16. Velotroz
17. Amy Winehouse
18. Criolo
19. Rihanna
20. Morrissey


Rainha, né mores
21. Beyoncé
22. Alceu Valença
23. Ultrassônica
24. Arcitc Monkeys
25. Bob Marley
26. Little Joy
27. Legião Urbana
28. Luiz Gonzaga
29. The Pivo's
30. Pastel de Miolos

É a pergunta que não quer calar: o que será da guitarra baiana? O que serão dos futuros carnavais?
31. Baiana System
32. Rodrigo Amarante
33. Clarice Falcão
34. Karina Buhr
35. Vivendo do Ócio
36. System of a Down
37. Caetano Veloso

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O fim e o depois

Esse texto começa sem direção e intensão. Porque as vezes tenho vontade de escrever como uma prosa descompromissada, que começa sem saber como vai terminar. Coisa que não tem acontecido muito com meus textos, já que ultimamente só tenho me dedicado aos jornalísticos.
Esse texto veio pela minha vontade de falar sobre minha incompreensão do fim. Pode ser que isso seja com todo mundo. Mas parece que minha cabeça tem dificuldade de entender o término, em muitos sentidos. É como se tornasse tudo vazio.
Quando minha mãe foi fazer sua terceira cirurgia do coração, antes da internação, ela falava corriqueiramente na morte e sua preocupação com a gente. Eu dizia pra ela parar de falar isso porque isso não ia acontecer. Mesmo sabendo de seu estado debilitado há tempos. Tudo tinha que ter uma solução.
Enquanto todos se preocupavam dia após dia depois da cirurgia, eu ficava angustiada, mas sabia que tudo ia ficar bem. E quando no dia fatídico meu pai me ligou pra dizer que tiveram mais complicações e ela não aguentaria o tempo sem os aparelhos entre a UTI e o centro cirúrgico para fazer uma nova operação, eu perguntei: "Sim, e agora, vai fazer o que?". Porque tinha que ter uma solução. Não deu certo desse jeito, mas tinha de ter uma forma de dar certo.
Eu sai do estágio e fui para Salvador e durante todo o caminho, por mais que eu tenha chorado, tinha a certeza que eu iria chegar lá e ia ter uma solução. Eu a vi entrando duas vezes para cirurgias de coração e ela sempre voltou e tudo sempre ficou bem. Havia de ter uma saída. Até mesmo quando eu subia o elevador do hospital eu acreditava que haveria uma solução. E tudo isso só findou quando eu olhei o medidor de batimentos cardíacos e o som não tinha mais pausas. Só ali vi que não existia a tal solução.
Essa minha incredulidade com os fins se repetem muitas vezes. Haveria sempre um jeito de continuar. Principalmente referente aos ausências, seja pela morte ou outro motivo.
Tem fins que não são marcados por medidores de batimentos. A gente sente aos poucos o aumentar da distância. Pra mim, custa senti-los. O que será agora? "Sim, e agora, vai fazer o que?". Mas nem sempre há o que se fazer. As vezes as histórias viram estrela. As vezes o que resta é deitar, lembrar, sorrir, chorar.

("Ficaram as memórias / histórias pra contar // resquícios de sorrisos / planos por terminar / e o que sobrou de mim perdido em algum lugar")

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Heróis

Olhando aqui do alto tá tudo tão igual
Minhas melhores lembranças são com você
Minha melhor história é viajar pra ti //
Mas a cada dia percebo que só seremos heróis
Por sobreviver a dor de ter longe uma parte de si

Vou me acostumar a não mergulhar na imensidão //
Hoje eu vou sem direção
Me sentindo só em plena multidão

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Aires Buenos ou sobre seis dias congelantes

O vento congelante batia no rosto, impiedoso. Era Buenos Aires que nos dava boas vindas as 2h da manhã, cerca de 3 graus. Esse vento friozin nos acompanhou todos os dias quando a porta do hotel se abria. E companhia era também o gosto do doce de leite, alfajor e media luna que já não saiam mais da boca. Foi gosto de Quilmes, cervejas artesanais, pizza fugazzeta e tantos outros sabores tão pertencentes aos aires buenos da capital argentina.

Depois de uma decepção de planos financeiros, desisti de sacrificar as minhas primeiras férias empregada para juntar mais dinheiro. 'Vamo viajar, pelo amor de deus'. E como os destinos nacionais estavam bem salgadinhos, quando Milane sugeriu a Argentina mandei logo mensagem pra Junior: a gente vai pra Buenos Aires, compraí as passagens. Foram compradas no mesmo dia, a noite. O hotel foi um dia depois, após algumas pesquisas pela internet. A viagem era daqui há uma semana - destinada a juntar todos os cachecóis, luvas, gorros, casacos e meias calças emprestados possíveis de meus queridos abiguinhos.
Saímos daqui umas 17h, pousamos no errejota e seguimos até chegar no Aeroporto de Ezeiza. Lá o moço do taxi que esqueci o nome (queria tanto lembrar o nome dele porque ele é uma ótima pessoa, tem um preço camarada e ainda faz um câmbio maravilhoso) nos esperava. Do aeroporto até o hotel foi mais umas meia hora na estrada.
A vista da chegada a Buenos Aires

Como indicado pela page/blog Aires Buenos (melhores dicas pra quem quiser conhecer a city), dividimos os dias por roteiros. O primeiro dia fomos conhecer o bairro da Recoleta. Primeiramente compramos um chip da Personal (porque minha operadora me cobrou um absurdo de caro pelo pacote de internet) e colocamos uma carga de sei-lá-quantos-pesos-me-perco-nessas-conversões de crédito e assim podemos usar o 3g e aproveitar o melhor do nosso amigo google maps para chegar aos locais.

Cervejaria artesanal maravilhosa que não me lembro o nome
Primeira parada foi a lindíssima livraria El Ateneo, depois a Galeria Bond Street cheia de lojas de tattos, piercings, roupas e similares. E em seguida uma cervejaria artesanal maravilhosa (que não me lembro o nome) que produzia as beers alí mesmo, aos olhos dos clientes. Depois fomos no famoso cemitério da Recoleta, que olha, quanto túmulo maravilhoso, gigantesco, espetacular, grandioso - assim como todos os prédios e construções de Buenos Aires. Depois demos um pulinho pra comprar os ingressos do Fuerza Bruta, conhecemos o Buenos Aires Design, tomamos um solzin no parque, comemos um Big MÁc de 180 pesos (ai meu corazaum), conhecemos a monumental Faculdade de Direito, a Floralis Generíca, o maravilhoso Museu Nacional de Belas Artes, ufa. Um tempo pra descansar no interessantíssimo Camping: uma tendazinha ao lado do Buenos Aires Design com uns banquinhos de madeira a la camping meixmo, luzes decorativas, velas nas mesas, chocolate quente, cobertorzinho pra pegar e se esquentar e músicas que voce mesmo escolhia através do celular. Por fim, era a vez do conhecer o espetáculo Fuerza Bruta. Não há palavras para descrever. O que posso dizer é que se você tiver oportunidade conheça o Fuerza Bruta peloamordedeus, porque puta espetáculo maravilhoso. Sério, não tem nem como descrever. Saindo do show, em frente ao Hard Rock Café tocava uma banda de rock em comemoração ao dia do amigo (que lá é coisa seríssima), findando assim a noite. Descemos e pegamos um taxi - umas das poucas coisas baratas que Buenos Aires pode oferecer são os taxis.
Modesto túmulo no Cemitério da Recoleta

Segundo dia subimos pela Calle Florida e todas aquelas ruazinhas comerciais, onde voce não para de ouvir 'câmbio, cambio, dolares, dolares, cambio', se depara com os caríssimos preços argentinos (roupas, sapatos, celulares, etc etc), inclusive na galeria Pacífico, shopping lindíssimo e carérrimo. Seguindo, chegamos ao bairro de Porto Madero, onde pudemos admirar a puente de la mujer, tomar um sorvetin do Fredo e conhecer um barco-museu. De volta ao hotel, nos preparamos para o passeio Buenas Noches, em português e para brasileiros, oportunidade que tivemos para ouvir as histórias da cidade. Vale bem a pena. O passeio foi encerrado no quadragésimo-sei-lá-o-que andar de um prédio, em um restaurante, com um brinde de champanhe e um vista que dava pra observar as luzes do Uruguai. Em seguida, junto com um pessoal bacana que conhecemos no passeio, fomos para uma pizzaria experimentar uma das mais baratas - e saborosas - iguarias de Buenos Aires.
Porto Modero

No terceiro dia fomos conhecer os parques de Palermo: primeiramente o aconchegante e simpático Jardim Botânico, com árvores diversas de todo canto do mundo. Depois fomos ao charmoso Rosedal, onde nos arriscamos andar naquelas bicicletas duplas, constatando rapidamente que não temos disposição física para tamanho esforço. Passamos pelo Planetário, mas estava com uma fila quilométrica, comemos um pochoclo, tiramos fotos com duas desconhecidas argentinas que nos abordou, e seguimos para o belíssimo e deslumbrante Jardim Japonês. Depois, caminhando por Palermo, fomos a uma pizzaria e finalizamos o dia conhecendo o Museu de Arte Latino Americano onde tinha exposições ótimas, dentre as quis de Yoko Ono e o quadro de Frida Kahlo. A noite fomos ao Casino Buenos Aires, em Porto Madero, onde perdemos 70 pesos naquelas maquininhas espertas. Um local onde se amontoam senhores e senhoras de mais idade, possui um aquecedor extremamente quente e você se sente com muito calor e abafado, e tem bastante cheiro de cigarro. Na parte da frente, pudemos aproveitar um restaurante bacana onde tocava uma banda de blues-hard-rock-country.
Jardim Botânico

Sábado o sol saiu mais bonito, dava pra andar com casaco fino e sem muito apetrecho. Reservamos para fazer as compras: alfajor, vinho, chimichurri, doce de leche e lembrancinhas com preços bem salgadinhas, ai meu senhor dos pesinhos (um chaveiro não tava por menos de 50 pesos). Foi só bater perna. Perto do hotel tava rolando um evento referente a alguma coisa da Colômbia, mas eu queria meixmo era descansar, assistindo aqueles tantos programas do TLC, Home and Health, Animal Planet, Tru TV e todos os outros que assisto aqui, mas todos em espanhol. Lá pras 22h fomos ao simpático pub irlandês Molly Malones, com uns tira gostos bem saborosos e um mojito maravilhoso.


Susanita, Mafaldata, eu, Manolito
Último dia, no domingo fomos conhecer o bairro de La Boca, mais precisamente no Caminito, que logo ao chegarmos nos deparamos com diversas lojas com todas as lembrancinhas possíveis e onde nosso dinheiro foi todo embora. Vimos uns dogzinhos com roupas que eram uma graça. Passamos para conhecer o modesto estádio do Boca Juniors e paramos para comer uma das melhores coisas que Buenos Aires nos ofereceu: choripannnnnnnnn. Pão, calabresa de churrasco, chimichurri, vinagrete, um moço servindo com as mãos sem luvas, bem pretinhas de sujeira, uma churrasqueira tomando toda aquela fumaça dos onibus que passavam, um pão que saiu de um saco mal amarrado do porta mala de um carro todo imundo. Que comida maravilhosa. Por dentro eu rezava para não passar mal - e não passamos não, podem comer o choripan próximo ao La Bombonera. Depois seguimos para o bairro de San Telmo, onde tava rolando uma feirinha de antiguidades, momento que me arrependi amargamente de já ter gastado todo o meu dinheiro, e enfrentamos uma fila bem grandinha para tirar uma fotenha com a estátua da Mafalda. Terminamos e pegamos um taxi para a estação de trem que vai para a cidade de Tigre (com T, não Chile, como pensou o taxista com o nosso sotaque). O caminho foi longo, mas pude ver, mesmo que não de perto, uma parte da cidade mais residencial, calmo, onde se via quase gente nenhuma, e a todo momento eu gritava: quero morar nessa cansaaaaaaaa. Chegando a Tigre foi o momento mais frio de toda a viagem. Tava pouco frio não, era um gelo que minha nossa senhora da Frozen. Comemos um churros que ao botar na boca era quase um picolé. Fomos no China Town, um shopping só com coisas asiáticas, jogos e tudo mais, e fomos conhecer uma feirinha com as coisas mais baratas de toda a Argentina que eu vi - mais barato que aqui no Brasil. Mas nesse momento nos restavam poucos pesinhos, então não comprei nada mesmo. Só rezei para voltar logo, porque apesar de bonita, a cidade de Tigre é frio que só! Chegando a Buenos Aires era só hora de voltar pro hotel para arrumar as malas.
Pouco frio em Tigre

Cedo hora do dia, 3h da matina, já estávamos no taxi a caminho de Ezeiza. Tivemos que nos virar nos 700 porque as malas tinham 10 quilos de excesso de bagagem. Passamos por Guarulhos e cerca de 14h estávamos em Salvador.
Buenos Aires.... Seis dias congelantes, de preços que eu não conseguia  administrar, taxis que valem a pena pegar, metrôs com ótimo custo benefício, segurança invejável, um arzinho dos anos 90, eu tentando me virar no espanhol... Histórias para sempre recordar, e quem sabe, um dia voltar.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Sobre dores meio bobas -ou não

A gente sempre  acaba chorando e sofrendo por umas coisas que depois a gente se acha um bobo por sofrer por coisas tão banais. E mais tarde percebemos que não faz mal chorar por coisas não-tão-fim-do-mundo, exceto pela dor de dente e as vezes a dor de cabeça que chorar me causa. Mas pior é guardar tristeza, pois aí ela pode resolver morar dentro de nós. 
Daí a gente faz um dramalhão, chora, se descabela e um tempo depois procura alguma coisa que nos distraia e as coisas ficam bem. Não assim com tanta rapidez. O tempo depende de diversas variantes que as vezes nem a gente entende.
As vezes esses problemas meio bobos aparecem, a gente deixa doer, eles vão embora, e volta e meia retornam. E a gente faz todo o ritual como o de costume. Eles vão, voltam, mas se ficarem é porque tem algum probleminha nisso aí, vamo resolver.
As vezes me pego chorando por umas faltas que sinto, de gente querida que fez tanto bem, e ainda faz, mas não anda mais tão perto, por motivos diversos da vida. A saudade vem, dói e a angustia aperta pela incerteza se as coisas vividas serão revividas ou se tudo é passado. Mas aí lembramos o quão infinitas foram as coisas vividas e assim, mesmo se não voltarem, já são eternas. Tem pessoas que são eternas dentro de nós e ao lembrar disso a gente sorri, por fora e por dentro, enxuga a lágrima e continua a viver.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Violação

O temor é cotidiano, e só quem o sente sabe o que é. É o medo que quem nunca teve o corpo visto como público nunca sentirá. É de quem anda na rua e gostaria que sua única preocupação fosse ou não ser assaltada. É pela certeza que o nosso 'não' quase nunca será respeitado, nossas opiniões serão menosprezadas e o que nos ocorrer será porque demos motivo.
Todo dia uma notícia de mais uma irmã nos causa dor, e quando é alguém assim tão perto nos angustia. Nós somos por todas porque entendemos nossas dores, como nenhum homem será capaz de entender porque não precisa senti-las, porque o privilégio os blindam de certas opressões e violências.
Mulheres, vocês não estão sozinhas, estamos juntas não simplesmente por uma questão de escolha, mas sobretudo por uma questão de sobrevivência. Somos por nós. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Chapada Diamantina para sedentários

O PLANO
Quinta-feira, 7 de janeiro de 2016, feriado municipal. Estávamos todos na praia quando sugeriram: "vamos pra Chapada no carnaval?". Fui a mais rápida do grupo a responder: vamos!
Meu entusiasmo era porque em meus, até então, 22 anos eu nunca havia ido a Chapada Diamantina, paraíso baiano aqui pertinho, e as tentativas de ir rolavam desde a infância. Nunca dava certo. Foram várias programações de ir na Chapada que acabavam por água abaixo. A última, que seria no dia 2 de novembro, foi bastante pensada. Pesquisa de pousadas, passagens e tal, mas no fim, acabou não rolando. Então essa era a oportunidade! E assim foi. E como dizem que tudo tem seu tempo, essa foi o momento perfeito para enfim conhecer a Chapada Diamantina.
Como programado, iria toda a galera, mas aos poucos um foi esfriando, outro tinha compromisso na data, outro não tinha dinheiro, etc. Mas eu estava certa de que dessa vez eu não deixaria de ir. E fomos, apenas eu e Junin.
Já que ficamos esperando a confirmação de todo mundo pra poder acertar a hospedagem, tivemos que procurar pousada de última hora. E procurar local pra ficar, dois dias antes da data da viagem e em período de carnaval é uma tarefa bem difícil. Quase todas as pousadas estavam lotadas, quando não, não eram nada baratas ou então não atendiam as nossas necessidades. Por fim, já exausta, acabamos por achar o lugarzin pra ficar que, apesar de não oferecer todo o conforto do mundo, estava num preço massa.

A IDA
Sábado, 6 de fevereiro, as malas já tinham sido arrumadas um dia antes, acordamos cedo pra partir pra estrada logo, mas terminamos saindo de Camaçari já por volta de 10h30. Tudo bem. Seguimos viagem tranquila, ouvindo podcast do Pelada na Net no som do carro. Paramos em Feira de Santana, (finalmente) tomamos café, descansamos e continuamos para o destino.
No caminho centenas de borboletas amarelinhas se chocavam contra o para-brisa :( a fome apertava horrores, a cabeça doía bastante. Resolvemos tirar o podcast e ouvir música mesmo. E então, umas 15h30 chegamos enfim a Lençois. Aleluia irmãos.
Estava destruída de cansada, com fome e com dor. Peguei logo a chave do quarto, joguei as coisas pra dentro e disse: "preciso comer pelo amor de deeeeeeeus". Almoçamos em um restaurantezinho perto da hospedaria mesmo, demos uma volta tímida pelo Centro Histórico, mas eu necessitava de um banho, analgésico e cama, pufavozinho, nunca te pedi nada. 
Peguei no sono e ao acordar, glória, a dor havia passado. Então arrumei as coisas no quarto e fomos nos arrumar pra conhecer a noite de Lençois.
Primeiramente, ei de confessar que esperava alguma atração cultural, bandinhas e tal. Mas foi só um cara sentado em um banquinho com um violão, uma voz bastante rouca estranha (migo, pare de cantar) e um repertório de barzinho. Tudo bem, foi animado. Acompanhado de uma cerveja e uma skol beats, depois ainda rolou beiju (amo).
Chagada a Lençois

DIA 1
Bom, já no domingo, primeiro dia para aproveitarmos o passeio na Chapada, escolhemos por começar pela Pratinha. Colocamos no GPS, não havia erro. O caminho era meio estranho, passava por dentro de umas fazendas de café, mas chegamos firmes e fortes. Ao descer, percebemos que o local estava recém alagado. Tudo cheio de lama, os bares não funcionavam, o rio tava escuro e não era aconselhado o banho. Subimos e fomos tomar banho na parte de mergulho, água bem gelada e cristalino. Depois tomei coragem e desci de tirolesa. Pulei e vi aquela altura toda, fechei os olhos e aí foi só o tibum na água.
Seguimos estrada de volta, pensando em chegar a Mucugezinho, mas no meio do caminho vimos na placa a entrada da Caverna Torrinha, a mais completa do Brasil rs. Então simbora conhecer. Mas começou pela indecisão de qual percurso fazer. Depois de um tempinho, enfim decididos, fomos almoçar antes de descer. Ao término, chegou a hora de entrar na caverna.
Capacete na cabeça, lanterna na mão, agora era andar e andar, com a guia, é claro. Sob as pedras, tudo escuro, estreito, caminho sinuoso. Ufa. Quase uma hora na caverna. Valeu muito pela experiência de conhecer.
Caverna Torrinha
Retornamos para a entrada em direção, enfim, a Mucugezinho. Lá, já cansados, resolvemos ficar apenas na tranquilidade. Cervejinha, solzinho de leve, sentadinhos na mesa, banhin de rio, mergulho na cachoeira. Maravilha! Ao voltar para Lençois só tivemos força pra tomar banho, comer e nos jogar na cama de sono.
Mucugezinho

DIA 2
Segundo dia de aventura, resolvemos nos arriscar mais. Percurso mais longo, rumo ao Poço Azul, em Nova Redenção. O caminho na estrada foi até tranquilo, na estrada de chão estávamos meio desnorteados, quase nos perdemos, mas uma boa alma nos ajudou. Chegando ao poço, fomos avisados que a água não estava azul: "querem dar uma olhada pra ver como tá e avaliar se vale a pena pagar pra entrar?", "não moço. vamo assim mesmo". E, gzuz, valeu muito a pena. Exceto pelo medo de saber que estava dentro da água que tinha nãoseiquantosquantosmuitos metros de profundidade. Mas foi maravilhoso.
Poço Azul
Hora de sair, pegamos a balsa rumo ao Poço Encantada, em Itaetê. Atravessado o rio, era a hora da estrada de chão, e olha, muito chão! Fazenda de todos os lados, os boizinhos passeando pra lá e pra cá, já achávamos que estávamos totalmente perdidos. Mas depois de um bom tempo chegamos ao 'antigo asfalto' que nos avisaram para 'pegarmos a direita'. Porém, a decepção foi que essa estrada era muito pior. E então, andando na lentidão, nessa peregrinação, chegamos ao tal Poço Encantado.
Caminho Poço Azul - Poço Encantado
Logo que chegamos fomos avisados que tinham dois grupos ainda na nossa frente, e demoraria mais de uma hora. Tivemos que esperar. Espera amenizada por umas cervejinhas, uns ubus e sorvete. Após todo o aguardo, chegou a hora de conhecer o poço: capacete na cabeça, descemos em grupo com o guia. Vários degraus abaixo, após a entrada, mais uma trilhazinha, e tharam... chegamos! Olhamos o poço meio de longe, não pode chegar perto, nem sonhar entrar. A água estava escura, tinha pouca iluminação... Pronto, uns minutinhos alí, era hora de voltar. E que volta! Subir aquelas escadas foi um sacrilégio. Sedentários que somos, parávamos a todo momento, descansávamos, nem dava pra recuperar o fôlego, mas continuávamos a subir. O coração doía, parecia que ia sair pela boca, parecia que ia parar a qualquer instante... uma labuta! Depois de tanta amargura, chegamos ao topo, ufa! Mas tinha que ficar uns 10 minutinhos bem paradinho para descansar. A fome apertava, mas preferimos voltar logo para Lençois.
Poço Encantado
O caminho de volta foi revigorante. Paisagens magníficas... Lugares incríveis... Passamos por algumas cidades (não sei quais rs), paramos na Toca do Morcego, em Andaraí, tiramos algumas fotos, olhamos a vista linda, mas continuamos a viajem. E um tempo depois lá estávamos nós em Lençois.
Volta do Poço Encantado

Toca do Morcego
Já na pousada, banho tomado, fomos ao supermercado comprar algumas coisinhas pra comer: lasanha de microondas, ketchup, refrigerante, e só. Voltamos a hospedagem, preparamos tudo, e já alimentados fomos curtir a noite da city. Fomos tomar umas cervejas em um bar, o alcool batia e a conversa fluía solta. Mas o sono era grande e resolvemos ir pra casa. Porém, eis que no meio do caminho encontramos uma banda de sopro e percussiva, tocando músicas diversas, desde o pagodão baiano até a mpb, passando pelo funk, pop, reggae e tudo mais. Era contagiante. Um grande grupo, formado principalmente por turistas, rodeava a banda e não parava de dançar. A animação era grande, resolvemos ficar por alí, compramos mais cervejas, a banda resolveu andar pelas ruas do Centro Histórico e a multidão acompanhava festiva, como um bloco de carnaval. Muita folia, e depois de tanta festas, fomos então pra pousada. Hora de dormir.
Noite em Lençois

DIA 3
No terceiro dia, acordamos bem tarde. Saímos quase 11h já planejando ir pra um lugar bem calmo que exija pouco esforço físico, tendo em vista a experiência desgastante do dia anterior. Fomos de novo a Mucugezinho. Chegamos e ficamos no rio de boa, tranquilamente. Mas decidimos nos arriscar e seguir a trilha rumo ao Poço do Diabo. Caminho um tanto tranquilo, grazadeus, chegamos ao topo da cachoeira. De lá, a galera descia em tirolesa, mas a altura era grande e a coragem pouca. Após admirar um pouco a paisagem, Junin resolveu descer na tirolesa, e eu preferi descer de pé. O sol era intenso, mais um pouco de esforço, mochila nas costas, cheguei no rio. Maravilhoso. Só não dava para chegar próximo a queda d'água, pois era bastante forte. But, mesmo assim, valeu muito a pena. 
O cansaço e a fome batia. Era hora de voltar, subir a trilha e retornar a Mucugezinho. Já com o corpo esgotado, a volta foi difícil, estava me sentindo fraca. E após algum tempo, glória deus, chegamos ao destino e fomos comer. Em seguida, já era hora de seguir pra Lençois. Última noite de viajem, resolvemos ficar pela pousada mesmo e dormir cedo.
Poço do Diabo

A VOLTA
No outro dia, foi só tomar banho, tomar café, arrumar as malas e pegar a estrada. Chegado a Feira de Santana, paramos pra almoçar uma comida bacana, tomar outro banho, conversar um pouco, tomar açaí, e retornar o caminho de volta. E então, cerca de 18h30 chegamos a Camaçari. Findada a viajem, ficaram as boas recordações, a certeza de que valeu a pena, a sensação de que não aproveitamos todas as opções e os planos de retornar outras diversas vezes a Chapada Diamantina.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sobre maternidade e patriarcalismo

Nós nos posicionamos diariamente pelo empoderamento feminino, mas sabemos o quanto a desigualdade de gênero ainda é radicalmente presente em nossa sociedade. O machismo é diário, seja nos julgamentos e comentário torpes , assédios naturalizados, cultura do estupro, feminicídio, etc etc etc. Lista infindável do que temos que enfrentar.
Mesmo sabendo que temos uma sociedade tão patriarcal, uma coisa (infelizmente) corriqueira me chocou dia desses. Discutimos sempre a imposição e romantização da maternidade, falamos sempre sobre o abandono paterno. Mas as vezes coisas corriqueiras nos chocam quando vemos assim de perto, e quando não conseguimos falar ou fazer nada para mudar alguma coisinha na situação.
Estava com um casal, pais de uma criança que tinha cerca de um ano e meio. A mãe dava comida sempre, dava banho  todas as vezes, trocava a fralda, vestia, penteava os cabelos, acalentava de madrugada (ou durante o dia). O pai assistia de longe, brincava um pouco, só. Em outra situação, esse pai passou vários dias em outra cidade a lazer, enquanto a mãe tinha que trabalhar e cuidar da criança.
Não sei da vida de ninguém e talvez não deva fazer julgamento. Mas foi inevitável: me indignei. E me indignei como isso foi naturalizado pelas outras pessoas que estavam presentes. Tudo parecia muito comum, porque, como já disse, isso é corriqueiro.
Comecei a lembrar das pessoas próximas, amigos(as) ou colegas que têm filhos, e percebi o quanto muitos pais se posicionam da mesma maneira, ou até de forma pior, ou quando agem melhor ganham carteirinha de super-pais. É um padrão quase unânime: para as mães cabe as obrigações e o peso da maternidade. Ao não assumir esse papel (papel esse que é de abrir mão de sua própria vida), a mulher é chamada de irresponsável ou coisa pior. Aos pais, os mais presentes são parabenizados, valorizados. A displicência é perdoada, despercebida. O abandono é pouco julgado.
É necessário quebrar esse paradigma. Compartilhamento das obrigações é imprescindível. Responsabilidade é igual para ambos, o  filho é dos dois. Os mais próximos sabem o quanto sonho em ser mãe. Mas isso não deve ser um fardo, e não deixarei que seja. Tampouco uma tarefa unilateral. Da próxima vez não deverei ficar calada. Vamos empoderar nossas irmãs. Vamos enfrentar e resistir porque, como diz a música, somos flortaleza.