quinta-feira, 12 de julho de 2018

Mudança - parte 2

Quando as ideias profissionais começaram a clarear um pouco, eu escolhi fazer o curso de Rádio e TV, mas depois acabei fazendo vestibular pra Cinema. No segundo semestre, mudei pra Jornalismo, curso que já tinha passado pela minha cabeça, mas tinha desistido por ter que 'escrever coisas que não concordo'. Já no curso de Jornalismo, sonhava em escrever para revista, depois meu maior desejo era ser repórter de televisão, hoje em dia, é atuar com assessoria de comunicação, o que no início da graduação eu dizia que deus me livre.
Há mais de um ano voltei pra academia e tinha perdido quatro quilos. Há cerca de três meses estou mudando a alimentação, o que começou com uma dieta e que busco agora levar como hábito para vida. Nesse processo dos últimos três meses, perdi mais oito quilos. Voltei ao peso que costumava ter há uns cinco anos atrás. Logo me empolguei que as roupas que usava há cerca de dois ou três anos,voltaram a caber. Mas agora tanto as roupas novas estão super folgadas, quando as antigas já estão ficando folgadas também.
Quando criança, a partir de uns seis anos, só usava tranças. Sempre. Sempre. Com uns 11, depois de tanto pedir a minha mãe, fiz escova pela primeira vez. Com uns 12, alisei. Com 16 queria fazer moicano punk ou dreads, mas não fiz porque minha mãe ia raspar minha cabeça se fizesse qualquer uma dessas coisas. Aos 17 comecei a usar um relaxamento que permitia usar eles cacheados e nesse processo, aos 19, fiz um corte como nunca tinha o deixado. Quando me formei, aos 21, parei de usar relaxamento e até hoje mantenho natural. Por quase quatro anos usei luzes. Hoje quero eles escuros e estudo deixá-los curtíssimos. Ou fazer dreads.
Eu costumava andar com pessoas que eu sei que me faziam e me queriam mal. Mas mesmo sabendo, continuava a andar por achar que eu me blindaria do mal e aproveitaria só a parte divertida. Já há um tempo comecei a me afastar das pessoas e dos ambientes por perceber que não se deve ter por perto quem te quer mal. Hoje ando cansada de um bocado de gente, de situações, de lugares, e mantenho meus pouquíssimos e boníssimos amigos.
Antigamente eu queria me aventurar, acampar, dormir em qualquer lugar, viver de qualquer modo. Hoje em dia eu sonho em ter uma casa confortável, espaçosa, limpa e bonita, ter eletrodomésticos que facilitem minha vida, quero viajar e ficar em uma cama confortável, em um quatro confortável, e levar uma vida minimamente decente.
Talvez eu queira futuramente mudar de área, faça outro curso e sonhe com outra especialidade. Talvez eu engorde, ou emagreça, ou nada disso. Talvez eu pinte ou corte ou mude o cabelo, ou talvez ele permaneça assim. Talvez o meu círculo de amigos aumente, ou continue com os pouquíssimos e boníssimos. Talvez eu futuramente queira acampar na praia e beber até de manhã em um bar sujo por aí.
O certo é que a vida muda. O certo é que a mudança é maravilhosa. O certo é que nosso cabelo cresce, cai e fica branquinho, nossa pela enruga, a gente faz tatuagem, coloca e tira piercing, usa óculos. A gente muda de estilo de roupa. A gente vai morar em outra cidade, em outro estado, outro país. Tem filhos e netos e bisnetos. O certo é que tudo vai ficar do averso, ao contrário e o que sobra é quem somos.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Cicatriz

Por que tudo tem que ser assim?
Acho que tudo está desmoronando
Do começo ao fim.
E viver só das migalhas
Com os restos do que fui,
Com os cacos que sobrou.
E o avesso do verso,
Da prosa ruim,
Dos vícios que tive,
Das feridas que causei
E das que causaram aqui.
Muitas cicatrizes que sempre
Nos lembram que a vida
É mais choro que riso,
A vida é crua.
E que os sonhos encaixotados,
Que já estão empoeirados,
Esquecidos em algum lugar
Distante, na parte de dentro.
E tudo que vejo são recortes,
Sombras retorcidas,
E a saída é sangue
Ou uma vida inteira em pedaços.

A vida é mais choro que riso,
A vida é crua.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Links da semana XXIV

sexta-feira, 23 de março de 2018

Links da semana XXIII