domingo, 16 de dezembro de 2012

Curto e grosso: Sobre Paraísos Artificiais e Eu Matei Minha Mãe

Colocando em cena as raves, em Paraísos Artificiais, Marcus Prado parece querer explorar esse universo sem se preocupar em fazer julgamentos. Embalado por uma trilha sonora de música eletrônica, o filme escancara o uso das drogas, imprimindo um discurso de que elas são a porta para esse paraíso artificial. Mas sem apologia. "As drogas são o que você quer, levam pra onde você quer" diz um dos personagens. Essa dualidade é o que o longa retrata: o uso das drogas para a exaltação ou como raiz de problemas, sem fazer desses dois 'caminhos' divergentes. Mas além do discurso e cenário, a história não é das melhores. Ainda com uma visão libertária, o autor discorre com naturalidade sobre sexualidade e 'os diferentes tipos de amor', porém o romance vivido entre Érika e Nando não convence, além de trazer personagens rasos. O argumento um tanto fraco é aliviado pela montagem, que, trazendo uma falta de linha temporal precisa, torna a narrativa mais atraente.

O canadense Xavier Dolan surpreende em Eu Matei Minha Mãe: escreveu o roteiro quando tinha 16 anos, e quatro anos depois dirigiu, produziu e atuou no filme. Uma semi-autobiografia, o longa narra um típico problema adolescente: o relacionamento conflituoso com a mãe. Em uma espécie de confissão, Hubert desabafa e demonstra que essa relação é muito mais do que revolta e ódio, mas uma mistura de amor e incompreensão. Os dois se vêm como estranhos e não conseguem entender o afastamento que eles tiveram depois que Hubert cresceu. Ao mesmo tempo em que o garoto é o retrato de um menino mimado, ele é maduro em suas convicções e uma figura solitária. Com uma narração simples, Eu Matei Minha Mãe se destaca pelos diálogos e pelo intimismo gerado. O erro de Dolan foi criar com certo descuido (beirando ao caricato e  da praxe 'a grama do vizinho é sempre mais verde') um antagonismo entre o relacionamento que ele tem com a mãe e a relação que seu namorado Antonin tem com a mãe.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dos laços desfeitos

Seu único motivo é ser feliz. Por isso despiu-se do ego, botou-o de lado, no fundo daquela gaveta, a última do armário. Foi difícil largar a teimosia. Doeu o orgulho de quem costuma se recusar a dá o primeiro passo, o passo de uma dança complexa. Arriscar não era seu hobby, pelo menos não o coração, pois ele já estava cheio de remendas, e com qualquer tropeçãozinho poderia se desfazer.
Mas ela nem sabia que tinha aprendido um tiquinho: mestre tempo. A dor sempre assola as almas maltratadas, mas analgésico pra alma é levá-la pra passear. 
O dilema maior era mesmo a incerteza que se estendia desde a segunda-feira, ou desde o dia que não viu mais o laço que se formava toda vez que o olhar se cruzava. Agora parecia fraco, desses que se afrouxa sem quase trabalho algum. Ela até se que segurava no resto da fita que sobrou, mesmo o nó desfeito.
Ela era atéia, mas rezou pra que tudo fosse só um sonho ruim e que quando o dia chegar não restar nem a lembrança. 

Me resta

Será que sobra um pouquinho
De sorriso pra mim?
Juro que não vou exigir o mais largo,
Mas amarelo também não serve tanto assim.
Guarde um pedaço desse abraço
Me avise que eu vou aí buscar,
Vou sem demora
Nem precisa de embrulho.
Deixa um restinho
Dessas palavras bonitas
Pode ser as mais bobinhas
Não ligo,
Vou até achar graça.
Me basta um tiquinho de pieguice
E assim vou juntando
De migalha em migalha
Um pouco de você

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Dessas coisas de deus

Havaianas, Kika pulando em mim, batata frita, bala de melancia, Black se fazendo de fofo pra não levar bronca, mp3, graminha, amar Flávio, vitamina de banana, shorts, sons junkies de rock, programas bestiais de tv, rir com Taís, som alto, Vitor me abusando, encontrar quem tenho saudade, ligações inesperadas, shangri-la, revistas, Livraria Cultura, filmes apaixonantes, banana da terra, viajar nas composições, torta gelada de minha tia, convites repentinos. 

sábado, 24 de novembro de 2012

Três

Delicadamente
Entre os meus dedos
Aos poucos vai queimando
Despertando,
Entre os olhares,
Pelo toque que acalenta
O sabor do perigo
Vai perdendo os sentidos
E atormenta, lenta
E depois de dois ou três
Os meses vão se consumindo
Entre seus dedos
Entre meus medos

E a alma quer dançar
E voar sem direção

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Desses dias marcados pra ser feliz

Na lista dos meus cantores favoritos e protagonista de postagem e declarações por aí, não é segredo que Arnaldo Antunes é figura querida por mim - mesmo que tenha alguém que sempre me relembre que um dia já o rejeitei. Mas como levar em consideração a rejeição de alguém que não te conhece? Cometia eu um erro primordial. 
Mas aí escutei o CD Ieieiê, procurei por seus antigos álbuns, ouvi Ao Vivo Lá em Casa, o projeto A Curva da Cintura e o mais recente Acústico MTV: me apaixonei. Dessas paixonites utópicas que adolescentes alimentam por artistas e colam poster na parede. Não que eu tenha poster de Arnaldo na parede do meu quarto, mas namoro sua voz, as letras, as fotos. Puro encanto! 
E depois de tanta fanzisse, pude então assistir a um show do Tuninho, ontem, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. A expectativa rolava desde o dia que Vitor me mandou um link da matéria que anunciava o show, a uns dois meses atrás. Pulei de alegria, contei as semanas... Ontem foi desses dias marcados na agenda pra ser feliz. E assim foi. Mesmo que sem abraço. Mas fiquei de pertinho, cantando, admirando... Se eternizou!



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Livres por completo

Por um mundo onde sejamos aceitos, todos, por sermos nós mesmos, sem máscara ou fingimento. Que possamos sair nas ruas e gritar o nosso eu. Cabelos, roupas, padrões, comportamento, que tudo isso seja minimizado e o que valha mesmo seja os sorrisos. 
Por um mundo sem amarras, com olhares abertos, atentos à mudança que somos. Com menos julgamento, com mais ideais. Onde impere os desejos e não precisemos forjar imagens ou modelos decadentes. Até quando vamos carregar essa farsa, esse moralismo doentio? Vamos celebrar a diversidade, parar de nos escondermos e deixar de temer. Esse medo que impede o impulso, que aprisiona as almas. Sejamos livres, por completo!


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Desconstruindo: a mulher é sempre culpada

   Nos últimos tempos muito tem se discutido sobre os direitos das mulheres, sobretudo depois que uma notícia estampou capas de jornais e chocou o país: duas fãs, adolescentes, acusaram nove integrantes da banda New Hit de terem as estuprado.
   O fato gerou revolta, indignação e fomentou debates, mas  não difícil encontramos pessoas que defendem os pagodeiros, com desculpas que vão desde o "todos têm o direito de errar" até "as meninas que se ofereceram". O mais chato é perceber que muitas vezes são as próprias mulheres que reafirmam o machismo, tão enraizado em nossa sociedade.

"As mulheres têm culpa por serem estupradas"

   Por que tanto nos vitimizar? Por que relativizar nossos direitos? Não existe meio direito, nem meio preconceito ou meia violência.  E não é papo de feminista revoltada, mal amada; é papo de quem não tolera viver num mundo onde as decisões das mulheres são vistas com maus olhos enquanto os homens continuam abusando do status intocável de "macho alfa" para justificar seus atos.
   A questão de gênero no Brasil passa pela diferença de salários e vai além. Será que a mulher não pode sair a noite, vestir a roupa que quer, agir do modo que queira sem que isso vire pretexto pra abuso? 
   Enquanto isso, na televisão as propagandas de cervejas, desodorantes, carros, estampam mulheres seminuas, afinal, somos objetos, consumíveis, adquiridos. Nas revistas "femininas", incríveis reportagens sobre como emagrecer em um mês, alisar o cabelo, e uma lista infinita de coisas que só ostentam o quanto temos que seguir um padrão comportamental, tudo em nome da nossa saúde, bem estar, amor a si mesma... ou para ser "bem vista".
   E isso tudo vem desde a infância. Meninos brincam com carros, aviões, bonecos de ação. Meninas brincam de cozinha e bonecas, porque quando crescerem, cabe a elas cuidar dos filhos e da casa. O anúncio de oferta do dia das crianças dizia: "a melhor opção para comprar o presente de seu pequeno herói ou sua princesa". Mas por que não podemos ter heroínas?
   Precisamos parar de minimizar os problemas. Lugar de mulher é onde ela quiser, é sendo protagonista social, é tendo voz, é sendo dona de si. 

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Curto e grosso: Sobre A Delicadeza do Amor

   Eu poderia dizer que o filme é lindo, sensível, apaixonante. Poderia falar sobre a trilha sonora encantadora, o roteiro que guarda surpresas boas, o texto poético, as atuações competentes. Mas depois de assistir A Delicadeza do Amor, essa obra que fala da vida com grandeza (porque dor e amor se encaixam de forma sublime, e essa deve ser a arte de viver), só vou comentar uma coisa: mil corações pra Markus.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

El grito

- Quando: 15 de setembro, às 18h
- Onde: Bar da Kássia (Radial C - Camaçari)
- Quanto: R$5 + 1/2Kg de alimento não perecível

- Bandas: declinium, Código em Sigilo, Riverman, Scary Killer, Double Deck, Gruta Sound System

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Independência ou rock

- Quando: 06 de setembro, às 22h
- Onde: Espaço Armazém (Camaçari de Dentro - Camaçari)
- Bandas: Moby Dick, Magdalene and the Rock and Roll Explosion (FSA)Cascadura (SSA) 


Realização: Capivara Coletivo Cultural

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Imoderado


Essa minha inquietude, de não conseguir mais ficar o domingo em casa de pernas pra cima. O nada não me serve mais. Consumo sem parcimônia, a liberdade, a exaltação, o descontrole, a intensidade. Vivo esse novo eu, menos preocupado, mais enérgico, menos esquentado. Mas não deixei pra trás aquelas canções que me acalmam, as distrações pequenas, os olhares delicados. A essência nunca vai embora. Esse meu novo jeito de escrever, sem muito pensar, jogar as palavras. Se assemelha aos meus dias, cada um de uma vez, rápido, mas não fugaz. Porque o hoje é urgente, e o depois já não me cabe.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Dia Municipal do Rock'12

- Quando: 01 e 02 de setembro, às 19h
- Onde: Teatro Alberto Martins (Avenida Eixo Urbano Central - Camaçari)
- Quanto: Free

- Bandas: 01/09 - The Pivo's, Declinium, Diário Urbano, Urublues, Psicopop. 02/09 - Rege FX, Moby Dick, Ladrões Engravatados, Clube de Patifes, Nasi (SP)


Realização: Associação Cooperarock

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Contradição


Meus dias têm passado numa extrema dualidade.

- Felicidade pulsando nas veias, olhos brilhando, sorrisos largos, conversas despreocupadas, abraços. A noite acompanhada de um drink, seja até do edredom. Corri pra perto da alegria barata, baratíssima. Tenho achado bom demais. Descobertas, entregas, intensidade, afago, esse fazer o que dá paz a alma, esse não trair a si mesmo.

- Por outro lado, vejo a insatisfação não sair de mim pelo longo mês que tem se arrastado, o olhar perdido, como alguém que não conseguiu se encontrar no desconhecido, como alguém que perdeu a coroa de rei e virou súdito, como alguém que passa o tempo desenhando técnicas de suicídio, inconformado, descontente. Às vezes até lágrimas chegam a cair.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Scambo em Camaçari

- Quando: 10 de agosto, às 22h
- Onde: Espaço Armazém (Camaçari de Dentro - Camaçari)
- Quanto: R$15 
- Bandas: Gruta Sound System, Pretexto, Psicopop, Scambo (SSA)

Realização: Produção Chefe

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Meu transbordar de sentimento

   Seja em abraços calorosos, em sorrisos verdadeiros ou olhares perigosos. O  que eu gosto é esse transbordar de sentimento. Nunca fui de alma leviana. Mas esses dias me espantei comigo, constatando o quanto eu amo essa entrega - e sem parecer sentimentalista.
   Isso não quer dizer que morro de amores por qualquer um ou em imediatismo. Tenho meu tempo, demoro em gostar. Mas quando gosto, não gosto bem de leve. Nem por isso preciso ser exagerada. Namoro as pequenas demonstrações de afeto: aquela palavra confortável ou um convite repentino. Me assusto com essa gente apaixonada em excesso, e também com os muito secos e apáticos.
   Por mais que eu aparente ser essa pessoa sem emoção, é gigante o encanto que carrego. Não grito aos sete cantos, assim não julgo necessário. Mas me lambuzo com esse meu coração piegas, com essa minha alma apaixonada. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Pais e Filhos - Tributo a Renato Russo e Legião Urbana

- Quando: 04 de agosto, às 21h
- Onde: Casa Branca (Avenida Eixo Urbano Central - Camaçari)
- Quanto: R$15
- Bandas: Duas Tribos (Legião Cover), AD Libitum
 
- E mais: DJ Alcapone, mostra de vídeos, fotos e documentários de Legião Urbana

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Curto e grosso: Sobre Pulp Fiction, Para Roma Com Amor e Hairspray

   Pulp Fiction - Tempos de Violência é cheio de sangue, armas, violência, drogas, sexo e tudo mais. Mas todas essas coisas são contadas com a naturalidade de uma dança, assim como a naturalidade de seu enredo: a livre a narração de fatos, sem conflito nem herói, completado com diálogos afiadíssimos. Primeiro e melhor filme que assisti de Tarantino, Pulp Fiction deve ser visto até mesmo por quem não gosta de sangue na tela.
   Numa montagem inteligente, três histórias são contadas. Na primeira, dois mafiosos, Vincent e Jules, precisam fazer uma cobrança, o que resulta em muita morte e sangue. Na outra, Vincent é ordenado a fazer companhia a mulher de seu perigoso chef, que está viajando. E na última, somo apresentados ao boxeador Butch, que surpreende vencendo uma luta de ganhador pré-definido. 

   Conheço quase nada de Woody Allen, mas sei que ele é um gênio cinematográfico. Porém o último filme (que faz parte de seu tour pela Europa), Para Roma Com Amor, não tem muita coisa de genial. Apesar da poesia doce do cineasta, tudo é bastante leviano e soa meia boca.
   São quatro histórias paralelas, que nunca se cruzam: Em uma, o próprio diretor interpreta um produtor cultural, que enxerga no sogro de sua filha, talento para a ópera, mas ele só consegue cantar bem no chuveiro. Somos também apresentados a Leopoldo Pisanello, um romano comum que fica famoso da noite pro dia, sem nenhum motivo aparente. Depois conhecemos a história de um casal do interior da Itália, que, chegando a capital, se perdem e envolvem-se em grandes confusões. Por fim, temos a história de um arquiteto que se reencontra consigo mesmo, em sua juventude, e revive uma história de amor mal resolvida.

   Tenho antipatia por musicais, mas acho que até mesmo os fãs do gênero não tenham muito apresso por Hairspray. O filme se passa na década de 60 e conta a história de uma menina gordinha que deseja virar dançarina de um famoso programa da tevê, mas a emissora  faz de tudo para boicotar Trancy, porque ela foge dos padrões estéticos. Preconceito que se estende aos negros, resultando em protestos e toda uma luta social. Hairspray é crítico, sim, tem uma estética bem bonitinha, sim, mas lembra demais Malhação e filmes teens: cansativo e chatinho. Talvez eu não goste somente porque não me encanto com musicais. Talvez.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Feijoada do tributo - 23 anos sem Raul Seixas


- Quando: 05 de agosto, às 12h
- Onde: Espaço Bahamas (Gleba C - Camaçari)
- Quanto: R$10 (a venda na New Look Surf Wear - Praça Abrantes)
- Bandas: declinium, Dr. Gore, O Manto, Bonagers, Gruta Sound System, Regis, Raul

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Feliz nosso dia!

Que hoje (e todos os outros dias) seja de muito rock pra todos. Parabéns aos que insistem em fazê-lo, sobretudo nessa nossa terra do dendê, e a todos que apostam e apoiam a cena.  Vida longa!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Especial Dia Mundial do Rock'12




Por Emile Lira e Faustino Menezes


   Para muitos, dia de rock é todo dia, mas o calendário reserva uma data especial para um dos ritmos mais empolgante do planeta, esse rebelde filho do R&B, jazz e country. A origem vem lá da década de 80, num festival realizado simultaneamente em duas cidades dos Estados Unidos, onde vários artistas subiram ao palco em prol do fim da fome na Etiópia. Muitos eventos assim aconteceram nessa época, mas esse, em 13 de julho de 1985, foi o que conseguiu maior arrecadação. E mesmo que hoje não se tenha nenhum registro visual dos shows, a data ficou marcada como o Dia Mundial do Rock.

   Desde os tempos de Chuck Berry e Little Richard, explodindo com o faça você mesmo, lema do punk setentista, reunir bateria, baixo, guitarra e álcool pode dá bons frutos. Dos Beatles a Nirvana, de Rolling Stone a Iron Maiden, chega a ser quase incontável, são do rock os grandes nomes sagrados da música mundial. Até mesmo na chamada terra do samba e do carnaval, mestre Raul pode se orgulhar dos discípulos, seja com Renato, Cazuza ou Cássia Eller.

   O ritmo é imortal por essa sua capacidade de inovar e transcender gerações. E hoje, com tantas novas – e ótimas – bandas que vêm surgindo, podemos sim afirmar que o rock não morreu, e o pai Elvis deve estar feliz.


COMEMORAÇÕES Para comemorar a data, Salvador tem programação especial. O Rock Concha leva na sexta-feira (13) à Concha Acústica do Teatro Castro Alves a baianíssima Cascadura e Agridoce, dupla formada pela cantora Pitty e pelo guitarrista Martin Mendonça. Sábado (14) quem sobe no palco é Vivendo do Ócio, uma das bandas soteropolitana que mais vêm ganhando destaque no cenário nacional, e Titãs, ícone do rock brasileiro. E para fechar o evento, no domingo (15) é a vez de Frejat e Maglore saudarem o Dia do Rock.


CAMAÇARI Já na cidade da árvore que chora, a comemoração acontece no domingo (15), quando bandas da cidade se juntarão a algumas convidadas. Psicopop, O Manto e Diário Urbano dividem palco com Pastel de Miolos, Velotroz, Camarones Orquestra Guitarrística e Vivendo do Ócio. A festa acontece a partir das 15h, no Espaço Armazém.


VELOTROZ NO DIA MUNDIAL 
E para saber mais do que pode acontecer no Dia Mundial do Rock 2012 em Camaçari, conversamos com Giovani Cidreira, vocalista, violonista e compositor da Velotroz, ele nos contou o que a banda do futuro prepara para a apresentação.

No currículo, o grupo carrega dois EPs bem sucedidos e aceitos pela crítica e público, shows enérgicos e fora do comum. A Velotroz dispensa qualquer apresentação, mas nunca é demais lembrar que a trupe, formado por seis jovens e talentosos músicos de Salvador, ganhou uma das competições mais desejadas por bandas baianas do estado: Desafio das Bandas do Grupo A Tarde, com um júri que contou até com o músico Fábio Cascadura, outro que dispensa apresentação.

 Os músicos se preparam pra vir pela segunda vez em Camaçari, mas pela primeira vez com uma responsabilidade tão grande como a de tocar no Dia Mundial do Rock ao lado de bandas importantes do rock baiano na cidade do Pólo.

Alternative-se: A banda acaba de lançar o EP A Banda do Futuro Apresenta: Espelho de Sharmene, e já estreou o repertório novo em show no Teatro Vila Velha, correto? Além do set-list, o que irá mudar na banda do último show em Camaçari para o do Dia Mundial do Rock?
Giovani Cidreira: 
Sim, lançamos o EP Banda do Futuro Apresenta Espelho de Sharmene e o show "Espelho de Sharmene". Nesse show tocamos as músicas dos dois EPs que temos lançados e algumas músicas de gente que agente acha que sempre valerá a pena ouvir, como Sergio Sampaio e Arnaldo Baptista. As coisas mudaram. Agora nós tocamos apenas com o propósito de alertar as pessoas das coisas que viram no futuro, da falta de proximidade entre as pessoas, da falta de urgência no amor. Finalmente revelamos nossa missão aqui. Salvar o futuro da desilusão.


A: Como vocês se sentem em fazer esse show dia 15?
GC: 
Esse é o terceiro show que vamos fazer com esse novo EP, estamos com muita vontade de tocar essas musicas e de contar para as pessoas o que vai acontecer daqui pra frente com nossas vidas. Além do mais, estávamos com vontade de voltar a Camaçari faz tempo. A cidade tem uns bares legais e a galera é muito receptiva... Um barato.
A: Até hoje vocês lançaram dois EPs (Parque da Cidade e Espelho de Sharmene) e já estão com um álbum prontinho pra ser lançado. Tocarão alguma música do disco no show?
GC: Só tocaremos músicas dos trabalhos que já foram lançados. Da ultima vez que estivemos na cidade nós tocamos todas as musicas do disco novo, (risos). Combinamos não fazer mais isso. Quem foi, foi! (risos).


A: Dia Mundial do Rock: como vocês enxergam essa data atualmente? E qual a importância dela?
GC: 
Eu acho legal, (risos). Esse dia me faz pensar... “Eu tenho uma banda de rock, que legal”. Faz pensar como isso é difícil e ao mesmo tempo tão bom. É como no dia do samba. Eu adoro.


A: E voltar em Camaçari? Como foi a primeira vez e o que esperam do dia 15?
GC: 
A primeira foi uma loucura. Nós tocamos todas as músicas de um disco que ainda nem lançamos, fizemos boas amizades, brigamos e ficamos doidos mesmo, né? Eu virei fã da cidade.


A: Vai rolar algo especial pra esse show?
GC: 
Sharmene prometeu aparecer, isso é difícil, espero que role.


A: Vocês são de Salvador. Qual a diferença do público de Camaçari pro soteropolitano? Se é que há diferença.
GC:
 A diferença é que estamos tocando pra pessoas que de repente não conhecem a Velotroz, ou nunca foram num show nosso por morar em outra cidade, mas que gostam muito da banda e sabem cantar as músicas e tal. Isso torna a coisa toda mais interessante pra nós. É legal ver rostos diferentes.


A: E como é tocar com a Vivendo do Ócio, que está se destacando cada vez mais no cenário musical nacional?
GC: 
É bom saber que vamos ter esse publico lá, de pessoas que de repente não conheceriam a Velotroz agora. Já tocamos com a Vivendo (do Ócio) outra vez, faz tempo, muita coisa mudou, eles mudaram, nós também. A galera é doida, vai ser legal.


A: E a ansiedade? Está muito grande?
GC: 
Sim... Parece que vai ter muita gente lá no dia, vamos tocar com um pessoal bom, danado ‘mermo’. Nós gostamos da cidade, adoramos ir a Camaçari pra tocar. Espero que agente faça um bom show, quero que o povo goste, e que ouçam os ensinamentos da tecnologia divina Sharmene. Um beijo pra vocês!



*esse post original é do alternative-se, um blog sobre música independente e cultura underground, acesse, siga e acompanhe ;)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Desconstruindo: maconheiros devem morrer

   "Pra mim todo maconheiro deveria morrer" 

  Não conseguir ter muita reação após ouvir essa frase, sobretudo porque ela foi dita como se fosse a mais bonita do mundo, daquelas que anotamos na agenda, e por alguém que se acha o grande defensor dos bons modos. Seguida dela veio o estopim: "se usa drogas pode ser assassino".
   Muito se discutiu a descriminalização da maconha nos últimos tempos, seja em blogs e até em programas de tv mais 'cabeça aberta'. Meu posicionamento sempre foi favorável, mas nunca levantei bandeira, o tema não me parecia tão importante a ponto de resolver fazer um post (como se isso lá fosse grande coisa).
   Mas eis que começo a perceber que não é uma questão bobinha e tão desimportante assim, que extrapola o ser pró legalização ou não. Mas sim uma discussão para tentar desmistificar um estigma social, que na verdade, na verdade, é fruto de preconceito, esse que é a raiz de todas essas pautas aqui do 'desconstruindo' e de tantas pautas, fatos e máscaras nesse mundo.
   Constatamos uma sociedade que simplesmente se nega a discutir a descriminalização do uso da maconha, e se julgam muito bons cidadãos por isso. Os usuários continuam sendo vistos com muito olhar torto por aí, basta ver os noticiários sensacionalistas que massificam o quanto os jovens maconheiros são desordeiros e malfeitores. Definitivamente não consigo fazer ligação dessa droga com má conduta ou bandidagem. Não que seja bandeira de luta, mas não se deve fingir colocar ponto final num assunto que está longe de estar em fim de papo. 
   Maconha virou bixo papão. Mas abominar seu uso em uma sociedade na qual o álcool, legalizado, é que mata muita (muita) gente por aí parece contraditório, achar que todo usuário é viciado ou criminoso e desconsiderar os benefícios terapêuticos é leviano. 
    Porque somos hipócritas até a última ponta.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Dia Mundial do Rock 2012

- Quando: 15 de julho, às 15h
- Onde: Espaço Armazém (Camaçari de Dentro - Camaçari)
- Quanto: R$10 + 1kg de alimento não perecível (a venda na Loja Lidiane Macedo e Sofisis Bijuteria)
- Bandas: Psicopop, O Manto, Diário Urbano, Pastel de Miolos (Lauro de Freitas), Velotroz (SSA), Vivendo do Ócio (SSA), Camarones Orquestra Guitarrística (RN)


Realização: Associação Cooperarock + Espaço Armazém + Mr Guima


terça-feira, 26 de junho de 2012

Além do Is This It

   Is This It é um dos melhores discos que existem. Sim. Não simplesmente um dos melhores do rock, ou do indie, ou somente dos Strokes. 
   E por ter a capacidade de criarem um disco tão bom assim, os novaiorquinos são acusados de serem 'uma banda de um disco só', como se os outros três álbuns lançados fossem tão ruins a ponto de se tornarem desprezíveis.
   Room on Fire, First Impressions Of Earth e Angles são trabalhos muito bons - de verdade, que não conseguiram alcançar a maestria do Is This It, mas que  não decepcionam e não merecem serem colocados no fundo da estante, esquecidos e empoeirados. 
   Os Strokes é uma banda que estreou de forma brilhante, mas que conseguiu permanecer como referência de indie rock  de muita qualidade, seja com Last Nite, Reptilia, Juicebox ou Under Cover of Darkness.

domingo, 24 de junho de 2012

Pais e Filhos o show - um tributo a Legião Urbana

- Quando: 04 de agosto, às 21h
- Onde: Casa Branca (Avenida Eixo Urbano Central - Camaçari)
- Quanto: R$15
- Bandas: Duas Tribos (Legião Cover)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A alma musical de Otto


   “Tento entender um pouco mais da alma, (...) que me faz dançar nesta festa”. Filho de Belo Jardim, cidade localizada no agreste pernambucano a 187 km da capital Recife e reconhecida por ter a música como uma tradição enraizada a sua terra, o cantor Otto pode afirmar que carrega esta arte em sua alma e em sua história.  Com os tambores, o artista fez os sons percussivos da Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, bandas que misturavam o maracatu, ritmo regional do Recife, com rock, batidas eletrônicas e hip hop.
   Sem deixar de lado o regionalismo nem a música sintetizada, Otto saiu do fundo dos palcos e partiu para carreira solo, assumindo-se como cantor e gravando o disco Samba pra Burro.  Nas músicas, cantadas com o sotaque tipicamente pernambucano, as melodias dançam como cantigas de roda, com uma leveza que flutua no ar, como sugere o título do seu terceiro álbum, Sem Gravidade, “no sentido de não ter problema. Está voando, sem chão” explica.
   Os olhos azuis e os cabelos louros denunciam sua origem holandesa, mas no sangue ele carrega mesmo é o amor pela brasilidade, e, sobretudo, pelo nordeste; não cantando suas mazelas, mas trazendo a simplicidade da região. “Uma casa pequena com uma varanda chamando as crianças pra jantar (...)”, ele compõe com zelo. É um intimismo aconchegante.
   Hoje ele caminha de forma independente. Longe das gravadoras lançou o Certa Manhãs Acordei de Sonhos intranquilos. É como o despertar de mansinho, chamando para um novo dia ensolarado, e ao contrário do título, a tranquilidade é a morada das canções. Otto canta e clama, sem levantar bandeiras, sem gritar aos quatro cantos, ele canta com a alma e consegue encantar.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Com leveza, Tomboy trata sobre assunto polêmico


   Os olhos azuis brilhantes de Michael, menino novo que chegou ao bairro, esconde mais do que sua aparencia revela. Com uma tesoura, sua irmã Jeanne o ajuda a deixar os cabelos louros curtos, com o resto dos fios cortados, as crianças colocam no rosto e fantasiam usar um bigode. Para a pequena Jeanne, é apenas uma brincadeira, mas para Michael, uma farsa que ele leva a sério. Michael na verdade é Laure, uma menina de 10 anos que se traveste como o sexo oposto, e assim consegue conquistar a amizade das crianças do bairro e a paixão de Lisa, menina que ela conhece na vizinhança.
   Na língua inglesa, a palavra Tomboy designa uma menina que tem comportamento masculinizado, e no filme francês de mesmo nome, lançado em 2011, a diretora Céline Sciamma consegue conduzir com leveza e de forma delicada o tema polêmico. A própria apresentação da família de Laure indica que a diretora optou por tratar o assunto sem cair em clichês e apontar culpados pelo comportamento dela. A garota mantém uma ótima relação com a irmã e os pais parecem aceitar com tranquilidade os gostos peculiares da menina.
   Quando a farsa é descoberta por Jeanne, que adora se vestir de rosa e dançar balé, ela consegue encarar a situação de forma despreocupada, afirmando até preferir possuir um irmão mais velho que uma irmã, porque ele poderia a defender das outras crianças. Jeanne não julga a irmã e apoia suas atitudes, pois, como uma pequena menina de cinco anos, ainda se desprende de preconceitos e padrões sociais.
   Os poucos cenários, reduzidos à casa de Laure, a um campinho de futebol, e a um bosque, ajudam a construir o intimismo e focar a atenção do telespectador no drama vivido pela personagem, assim como o roteiro direto e simples.  Mas o maior destaque é para as atuações mirins, que interpretam com competência os personagens complexos, dando o tom inocente da infância à história forte que Tomboy apresenta. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A nova TV aberta brasileira?

   No meu tempo de criança (muito tempo atrás) todo mundo sentava na frente da televisão pra assistir os programas 'de família', e o canal sintonizado, geralmente, era a TV Globo, famoso canal 11. Isso na maioria das casas, onde o Fantástico, Domingão do Faustão e Jornal Nacional eram referências. Às vezes se assistia o SBT de Sílvio Santos, e vez ou outra a Record. Na Band, só jogo, e olhe lá.
   De uns anos pra cá, muito se falou do crescimento da Record, que ultrapassou a popularidade do SBT e tava alí, quase-quase peitando a líder (na verdade esteve longe em peitar no IBOPE, mas incomodou bastante a rival). Fato é que a TV do Bispo investiu, ganhou audiência e público garantido, mas grande parte limitada em seguir o padrão global e produzir entretenimento, tanto nas novelas que se aprimoraram, quanto nos programas espetacularescos, ou até mesmo nos jornalísticos. A Record brilhou, e comprou briga com a emissora dos Marinhos.
   Mas aí, uma rede de televisão que sempre esteve alí, quase servindo apenas pra discussão futebolística, sem querer bater de frente com concorrente, deu um salto em qualidade, e hoje, mesmo estando muito atrás em audiência, surpreendeu ao telespectador, com programas inovadores, pelo menos na TV brasileira. Eis a Bandeirantes.
   A primeira produção da Band a causar burburinho foi o Custe o Que Custar, que estreou em 2008, já causando frisson na televisão, desde as esquisitices que iam parar no Top Five, as perguntas capciosas feitas aos políticos, até os testes de honestidade e ao quadro Proteste Já. De lá pra cá muitos elogios e críticas, consolidação, mudança de perfil, mudança de repórteres. E mesmo que o humor tenha extravasado mais do que o cunho jornalístico, o CQC ainda faz hoje o que nenhum jornal padrão faz: botar o dedo na ferida, colocar os dirigentes governamentais contra parede, fazer as perguntas que têm que ser feitas.
   Outro programa que merece muito as palmas (e que merecia muito mais audiência) é A Liga, lançado no ano passado, mostrando temas, por vezes batidos, mas de uma maneira bem inovadora. Eles vivem a realidade abordada e constroem a reportagem, sem se preocupar se tá ou não cuspindo na hipocrisia da sociedade, seja falando do preconceito, de prostituição, nudismo, consumo de drogas ou o movimento dos sem teto. Por sinal, A Liga trouxe o, então esquecido VJ da MTV, Cazé Peçanha, que depois de ser estrela do canal musical, estava apagado e subestimado. Apesar de ter perdido nomes como Sophia Reis, A Liga, que também conta com Thaíde e Débora Vilalba, continua mostrando-se como uma ótima opção na tevê aberta.
    A mais nova boa aposta da Band é o Perdidos na Tribo, reality sucesso no exterior, que mostra três famílias que abandonam o conforto do seu lar para viverem junto a tribos, uma da Indonésia, outra da Namíbia, e outra da Etiópia. Como não podia deixar de ser, quando terminar o reality as famílias ganham uma quantia em dinheiro, mas só se forem aceitas pela comunidade local. Por sinal, no programa não se cai no clichê de mostra 'os brancos como redentores das tribos não-civilizadas'. 
   Não, a Band não tá me pagando nada por isso (bem que podia, fikdik rs) e nem que ela seja a salvadora da televisão, é apenas um exemplo claro para minha sincera aposta da nova televisão aberta brasileira, sem a hegemonia do padrão Globo de produção




terça-feira, 29 de maio de 2012

Mas nada disso me possui

   "O importante é ser e não ter". A frase que se tornou tão batida, clichê, e julgada até de hipócrita, parece que se perdeu nos discursos socialistas: a sociedade grita ao contrário, afinal, quem não gosta da posse? Mas é preciso bater na mesma tecla a tirar a poeira do velho dizer, 'ter' é importante, sim, mas nunca pode prevalecer ao ser, e não, não é frase bonitinha pra escrever na agenda, é uma apreciação do ser humano por sua totalidade.
   Nos vendem ao contrário, vitrines estampam objetos de desejo, comprar se tornou programa favorito das famílias, ou melhor, gastar. Claro que isso não é errado, eu, você, gostamos de adquirir aquilo que queremos consumir. Mas, e quando nos limitamos aos bens que possuímos? Parece que é essa a ideia que a nova propaganda do Bravo, carro da Fiat, quer passa.
   "Se você anda sumido porque tem um carro que não diz nada, tá na hora de aparecer". Porque as competências, habilidade e qualidades continuam sendo coadjuvantes nessa sociedade, e um carro moderno, uma roupa padrão e uma cara maquiada são quase pré-requisitos para 'ser visto'.
   Como Pitty cantou: "Eu não sou o meu carro, eu não sou meu cabelo, esse nome não sou eu, muito menos esse corpo... vou pairando livre, acima da carne e do metal. Eu possuo muitas coisas, mas nada disso me possui".

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Show de Los Hermanos em Salvador teve direito a música nova

   "Porque a gente tem que compartilhar tudo, na alegria e na tristeza". Rodrigo Amarente declarava em plena Concha Acústica, se referindo a sua última experimentação da comida baiana. Mas durante o primeiro show da turnê 2012 de Los Hermanos em Salvador, no último domingo (06/05), o que os barbudos compartilhavam mesmo com o público era a energia de entoarem juntos as cerca de 29 músicas que compuseram o repertório da banda.
   Para os hermanos, a emoção de tocar em uma casa de show que os recebeu por muitas vezes durante sua carreira e presenciar o coro infalível do público. Para os fãs, a emoção de ver tocar a banda que foi trilha sonora de muitas histórias e desde 2010 não subia nos palcos, apreensão indicada, inclusive, pelas grandes filas que se formaram muito antes do início do show.
   Apesar da capital baiana também ter sido rota da última turnê, esse ano a apresentação teve um gosto especial, pois comemorava os 15 anos de estrada dos Los Hermanos. O show começou com as palmas e o coral do público que acompanhavam Marcelo Camelo na música O Vencedor. A apresentação, que durou cerca de duas horas, teve direito até a uma música inédita, causando frisson nos fãs que gritavam "volta Los Hermano". Mas de acordo com a banda, o quarteto não pretende gravar novo trabalho, e a música nova, ainda sem nome, vai estar no CD solo de Amarante, com previsão de lançamento ainda para esse ano.
   Outra novidade foi a a execução da controversa Ana Júla, que tinha sido deixada de lado nas últimas apresentações. Mas o que não foi novidade pra ninguém, foram as luzes de celulares acesas enquanto era tocada a música Sentimental. 
   Já no bis, para encerrar o show, que contou com músicas de todos os quatro CDs da banda, Camelo cantou Pierrot, que por muitas vezes durante a noite foi pedida avidamente pela platéia. 
   A turnê comemorativa, que já passou pelas cidades de Recife, Fortaleze, Manaus, Belém e Brasília, segue agora para São Paulo (11), Porto Alegre (12), Curitiba (18), Belo Horizonte (19 e 20) e Rio de Janeiro (25, 26 e 27). 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Adeus

Acabou,
O vento soprou para longe
E a sua alma
Não me acalma mais.
Durou
O que nem o tempo conseguiu medir
Mas não vale a pena, meu bem
Insistir não me leva a nada.
A vida passou por você
Mas você não conseguiu entender
E não cabe a mim te mostrar.
Saudade ainda não foi
Mas não quero que sua ausência
Me faça chorar
Porque lágrimas são feitas
Para serem enxugadas
E de nada vale palavras
Se elas se soltam de nós,
Leve demais.
Foi assim
Que eu aprendi
Que em mim só cabe sonhar
E você não tem mais espaço
Pra fazer meu sonho acabar.
Porque dizer adeus
É sinal de coragem

sábado, 28 de abril de 2012

Lançamento do EP da Código em Sigilo

- Quando: 20 de maio, às 16h
- Onde: Espaço Barramas (Gleba C - Camaçari)
- Quanto: R$5
- Bandas: Código em Sigilo, declinium, Pretexto, Jato Invisível (Lauro de Freitas) + discotecagem Mr. Guima

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O paraíso de Tio Sam


   Os trajes dos heróis da infância estampam as cores vermelha e azul, a Disney é destino dos sonhos de muitas crianças, o paraíso do Tio Sam é almejado, difundido por música e filmes hollywoodianos. Mas em Beleza Americana, Sam Mendes desconstrói o sonho americano, fazendo cair por terra a idealização da nação bem sucedida e expondo a farsa da sociedade perfeita. Foi em 1999 que o filme ousou desmistificar o padrão social dos bons costumes, regida pela repressão e relações levianas. 
   Lester Burnham, um homem em plena crise dos 40 anos, vive uma vida sistemática e pragmática, desvalorizado no trabalho, esnobado pela filha adolescente, Jane, e submisso à mulher com a qual tem um casamento de mentira, Carolyn. Se vendo afogado em infelicidade, ele lança mão de sua estabilidade e entrega-se a um novo estilo de vida: deixa o sedentarismo de lado e começa a fazer exercícios, muda de emprego, começa a fumar maconha e se apaixona pela amiga de sua filha, não mais se importando como vai ser visto pelas outras pessoas.
   Mas a vida de aparências que Lester abandonou ainda faz parte da rotina de seu novo vizinho, Frank Fitts, ex Coronel dos Fuzileiros Navais que educa com mãos de ferro seu filho Ricky e é autoritário com a esposa, se mostrando retrógrado e conservador. Angela, amiga de Jane pela qual Lester se apaixona, também exibe uma vida mentirosa, ostentando sua beleza com esnobismo. 
   Com um filme totalmente bem amarrado e dirigido e um roteiro muito bem elaborado, Beleza Americana consegue questionar tabus, como a homossexualidade, o consumo de drogas, traição e virgindade. Os toques de humor aliviam o clima de tensão sem diminuir a complexidade da narrativa, com um ritmo que consegue prender a atenção do início ao fim. Cada cena ajuda na construção de uma sequência de revelações, que se estendem até o último minuto do filme.
   As informações que ficam ocultas também servem para sustentar a ideia de segredo, daquilo que fazemos e permanece invisível à sociedade. Quase todos da trama tinham motivos para odiar o Lester, mas, quem sabe, o odiassem justamente por sua audácia de quebrar com os padrões, fazendo revelar farsas e desmascarar tantas verdades que a sociedade teima em esconder. 



terça-feira, 17 de abril de 2012

Top 5: música 2012

   No período carnavalesco quem deu o que falar na música baiana foi Magary Lord, cantor 'revelação', cujas canções não paravam de tocar em programas de televisão, rádio e nos sons automotivos, seja o 'Circulou', 'Joelho pra dentro, joelho pra fora' ou o 'Billy Jean my love'. 
   Mas, o Insano Mundo Estranho resolveu fazer o top 5 eventos que marcaram ou pretendem brilhar na cena rock esse ano:

1. Cascadura
   Não bastassem ter participado do Lollapalooza, mega evento da música alternativa no país, prepararam também o CD Aleluia, álbum duplo inspirado na cidade de Salvador, disponível para download no fanpage da banda e que breve chegará as prateleiras das lojas. "Ligamos aquilo que já temos como marca a possibilidades ainda não usadas, referências à música e à cultura soteropolitana traduzidas pela argumentação da banda" conta o vocalista Fábio no site oficial. Comemoração em alto estilo aos 20 anos de Cascadura, que fará um talk show no dia 21 na Livraria da Cultura.

2. Los Hermanos
   Mesmo depois do hiato em 2007 e seus vocalistas dedicando-se a seus trabalhos paralelos, Los Hermanos não fica parada. O quarteto já se apresentou no festival Just a Fest, em 2009, fez uma mine turnê em 2010 e participou do SWU. E esse ano, em comemoração ao 15 anos da banda, os Hermanos não vão ficar parados: 11 cidades brasileiras recebem o show da nova turnê. As comemorações não param por aí: o Musicoteca, site especializado em música, promove a coletânea Re-Trato, com 33 canções do grupo regravadas por novos artistas da cena alternativa

3. Lollapalooza
   Os comentários nas redes sociais indicaram: o Lollapalooza foi um dos assuntos mais comentados pelos brasileiros amantes de música nas últimas semanas. Não era por menos, quem conferiu o evento, realizado nos dias 7 e 8 de abril em São Paulo, pôde assistir bandas como Arctic Monkeys, MGMT, Foo Fighters, Plebe Rude, O Rappa, Wander Wildner, Marcelo Nova, Racionais MCs, Cascadura, Velhas Virgens, além da novata Tipo Uísque. Foram 50 atrações durante dois dias de eventos, divididas em cinco palcos. 

4. Morrissey
   As cidades de Belo Horizontes, Rio de Janeiro e São Paulo receberam em março o show de Morissey, comandante da consagrada The Smiths. Além das canções de sua carreira solo, quem foi aos shows pôde escutar as músicas da banda britânica. Seja os fãs que acompanhavam os Smiths desde a década de 1980, até os mais jovens, as apresentações no Brasil de Morissey foi comemorada pelos apreciadores brasileiros da música indie - mesmo aqueles que não puderam conferir o show do Mozz.

5. Retrofoguetes
   O grupo baiano que promete invadir a cena rock nacional em 2012 é o consagrado trio instrumental Retrofoguetes. Até mesmo o jornal espanhol El Pais citou a banda, quando a música Maldito Mambo! foi eleita a quarta de uma lista produzida pelo jornal. Eles ainda se apresentaram em programas de tevê e em um trio no circuito principal do Carnaval de Salvador. As músicas, inspiradas em quadrinhos, games e filmes, têm tudo para brilhar esse ano no cenário rocker do Brasil.

Rock Rio Camaçari

- Quando: 26 de maio, às 22h
- Onde: Espaço Armazém (Camaçari de Dentro - Camaçari)
- Quanto: Ingressos a venda na loja Psan (Radial B - Camaçari)
- Bandas: Moby Dick, Camisa de Vênus, Gun's Roses Cover

domingo, 8 de abril de 2012

Desconstruindo: ser gay virou moda

   Não podemos negar que nesses últimos anos a nossa sociedade vem alcançado grandes conquistas, quebrando paradigmas e tabus, como o avanço na luta pelos direitos das mulheres e da causa homossexual. Mas ainda não é difícil encontrar retrógrados, gente que encara todos esses avanços como ameaça aos bons costumes e a moral.

"Agora todo mundo é gay, virou moda. Querem que a gente ache que ser gay é normal"


   Então a sexualidade é uma questão de escolha? Mas por que alguém escolheria ser homossexual mesmo sabendo que estaria propenso a críticas, preconceitos e agressões? Não, ninguém é gay porque acha bonitinho.
   A verdade é que relações homoafetivas existiram em todas as épocas, ouso dizer, por sinal, que sempre existiram nas mesmas proporções, o que mudou foi a quebra do tabu, a possibilidade do diálogo. Algo que antes estava confinado veio a tona, deixamos de hipocrisia, saimos do armário!
   Homossexuailidade hoje é pauta de revistas, jornais e novelas, mas ao contrário do que dizem por aí, não é nenhuma idolatria, mas sim uma dismistificação de que o homossexual vive em um mundo a parte da sociedade, e sua cultura (se é que se pode dizer exatamente que há uma cultura gay) pode sim ser vista e apreciada.
   Esse novo olhar permite que aquele adolescente que esteja se descobrindo não mais se veja como um total estranho e aceite com mais facilidade sua sexualidade. Quem é heterossexual não deixará de ser por conhecer (e até mesmo apoiar) as bandeiras LGBTTs.  
   Pode até parecer que esse tema é repetitivo, que esse discurso é velho e já está desgastado, mas quando percebemos que ainda há muitos conservadores por aí, não devemos deixar de bater nessa tecla: ser gay é tão normal e tão correto quanto ser heterossexual e se tem uma coisa que sempre vai tá fora de moda é o preconceito.

sábado, 7 de abril de 2012

Coma Rock in Reggae!


- Quando: 06 de maio, às 14h
- Onde: Bar da Cássia (Radial C - Camaçari)
- Quanto: R$5, R$10 (ingresso + feijoada)
- Bandas: Mato da Chapada, declinium, Gruta Sound System, A Célula (SSA)


quinta-feira, 29 de março de 2012

Infinito

Cada hora que se arrasta
Tudo parece cada vez mais distante,
E aos poucos se afasta
Aquilo que me roubava sorrisos.
Um retrato amarelado
Como os dentes escancarados sem motivos
Por que queres ir tão longe?
Sem saber que tão perto há infinito,
Em nossa paz.
Céu não há,
O universo é aqui

terça-feira, 20 de março de 2012

Um papo sobre o Grito Rock 2012

Sofisticação e experimentação marcaram apresentação da mineira Paquiderme Escarlate

 Dando fim a maresia inerente aos domingos, o Grito Rock agitou a cena rock de Camaçari nesse último dia 18. As responsáveis por isso foram a Ladrões Engravatados, The Pivo's, declinium, Paquiderme Escarlate, Pietros, Pã e MetalWar,  bandas que se apresentaram no Espaço Barramas.
   Foi com post punk da declinium que começou a segunda edição camaçariense do evento que acontece em toda a América Latina. A banda, ícone do rock da cidade, embalou canções velhas conhecidas dos frequentadores da cena alternativa local, como Fenix, Calor e Sem Destino, acompanhadas pelo público.
   O punk nervoso e ensolarado da The Pivo's pode ter sido o ponto alto do Grito Rock. Sempre enérgico, o power trio também entoou músicas acompanhadas pela galera, e aproveitaram pra divulgar três novas canções da banda.
   Já os cariocas da Pietros, apresentaram um pop rock bem feito, com o típico estilo que vem ganhando espaço na música nacional (e particularmente a baiana), com baladas teens românticas, lembrando bandas como a soteropolitana Maglore.
   Diretamente da capital baiana, Pã bebe de várias influências para mostrar um som 'sujo e pesado', como denominado pela própria banda, mas, sobretudo, direto e certeiro.
   MetalWar, grupo feirense de heavy metal, agitou o público, fazendo um som competente e enérgico, com influências de bandas ícones do gênero, como Iron Maiden e Judas Priest.
   A sexta da noite foi a Ladrões Engravatados, que voltava aos palcos com nova formação e esbanjado boa forma. Clássicos como O Tempo Não Para, de Cazuza, e Pólvora, d'Os Paralamas do Sucesso, foram executadas com eficiência, assim como as autorais Pega Ladrão, Cicatrizes Emocionais e Folhetim.
   Foi a Paquiderme Escarlate que findou o evento. Com maestria, a banda mineira balançou o público, fazendo um som sofisticado e cheio de personalidade e experimentação, incluindo instrumentos como o teclado e saxofone e afirmando-se como um dos destaques do Grito Rock 2012.
   E então, que venha o próximo!