sábado, 31 de dezembro de 2011

Lado B

Olha aquela menina tão só, tão só
Quem vai tentar entender seu sofrer, seu penar?
Continua fechada nessa sua solidão
Quem vai te salvar desse mundo?
Quem vai te curar dessa mania de se culpar por tudo?
Ela esconde o rosto, enxuga as lágrimas e pede perdão

Solidão

Nesses dias amargos
Se derramam as lágrimas mais doídas
Como se a tristeza fosse sadista
A me torturar.
Noites insossas, foi em vão
Espero a solidão me abraçar


Remédio não curam 
Todas as nossas dores

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Rapidinha: Sobre The Very Best of The Smiths

   O que esperar de uma coletânea que reúne as melhores músicas de uma das melhores bandas que há? Só coisa boa, certamente. É o que podemos dizer do CD 'The Very Best of The Smiths', lançado lá em 2001, com 23 músicas dos ingleses, coisa fina. Tem obras primas como This Charming Man, Ask, Bigmouth Strikes Again, There Is a Light That Never Goes Out, e William It Was Really Nothing, pura classe A. Ouçam: http://sonora.terra.com.br/Cd/9441/the_very_best_of_the_smiths 

domingo, 18 de dezembro de 2011

50 anos a mil

   É pelo tom despojado, declarações polêmicas e hits, que Lobão é conhecido. O músico emplacou nas paradas de sucesso canções como Vida Louca Vida, Me Chama e Vou Te Levar. Além da carreira solo, 'o Lobo' já fez parcerias com artistas como Marina e Cazuza, e integrou as bandas Blitz, Os Ronaldos e Vímana.
   Confesso, não tenho tanta proximidade com a carreira de Lobão (mesmo já tendo ido pra um show dele quando eu era criança), não sou fã de suas músicas e não conheço tanto suas obras, mas foram as atitudes firmes e opiniões fortes que me fizeram sentir certa empatia por ele, além de sua admirável atuação como apresentador da MTV, nos programas MTV Debate, Código MTV, Lobotomia e Lobão ao Mar. E por isso resolvi ler o livro 'Lobão 50 anos a mil', sua biografia.
   
   Nas 591 páginas há histórias sobre composições, dificuldades com as bandas e em sua carreira solo, relatos sobre sua prisão - por porte de drogas, seus relacionamentos amorosos e seu desfile na bateria da escola de samba Mangueira. Mas é mesmo a primeira metade do livro que me encantou.
   É sobre o João Luiz Woerdenbag Filho, um menino de classe média, que a obra começa a narrar, um alguém que parece não se tratar do mesmo Lobão rocker. Um garoto de família grande, pais e avós corujas, estudioso e que sofria com problemas de saúde. Seus primeiros relatos são sobre suas experiências traumáticas no jardim de infância, a paixão por marchinhas de carnaval, primeira comunhão e seu tímido e desastroso primeiro beijo.
   
   Com uma leitura extremamente simples e coloquial, passeamos pelos primeiros anos do roqueiro, quando ele ainda se dedicava a música clássica. É como se estivéssemos conversando ali, frente a frente com Lobão. E ele vai nos contando sobre seu primeiro contato com o rock n'roll, a primeira experiência com banda e as típicas dúvidas de adolescente. Ao descobrir que o que queria ser de verdade era músico, eis que surge o Lobão dos palcos.
   Sua passagem pela Vímana, Gang 90, Blitz e seus trabalhos como baterista começam a fazer parte dos relatos, e quando ele ganha a fama, o livro nos apresenta uma novidade: entre um capítulo e outro, aparece a sessão 'Lobão na Mídia', que conta o que os jornais falavam sobre ele, deixando claro o quanto os meios de comunicação distorciam os fatos.
   É por, mesmo não sendo uma fã das músicas de Lobão, ter devorado o livro com entusiasmo, que o recomendo. Seus relatos transcendem o 'Lobo roqueiro' e revela muito mais sobre o João Luiz, uma história que parece muito comum, mas que na verdade é completamente instigante.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O que rolou no Lusco-fusco

A soteropolitana Velotroz mostrou um som com personalidade e bem conduzido

   A decoração tipicamente nordestina do Restaurante Casa de Taipa também combina com rock n'roll, foi o que provou o Lusco-fusco rock, evento realizado no último dia 11 em Camaçari. E foi com a casa cheia que o VJ Deniac esquentava a noite, com clips primorosamente selecionados, que passeavam desde os clássicos, até os sons mais experimentais.
   A primeira banda a se apresentar foi a soteropolitana Velotroz, que tocou com qualidade e agitou o público, mostrando um som com muita personalidade e bem conduzido por Giovanni Cidreira na voz e (extraordinariamente) na guitarra, Caio Araújo no baixo, Tássio Carneiro no teclado, Filipe Cerqueira na percussão e Maicon Charles na bateria. As influências da MPB, misturando-se ao rock modernex, dá sabor especial ao show da Velotroz, que foi acompanhado por um público admirado.
   E foi com muita energia que a The Honkers subia ao palco. A apresentação inusitada e viceral do grupo soteropolitano, formado por Rodrigo Chagas na voz, Felipe Brust e Bruno Carvalho nas guitarras, Thiago Magalhães no baixo e Léo na bateria, levou os rockers à êxtase, com um garage rock empolgante e de qualidade. Seja com guitarras poderosas ou performance extravagante, os Honkers apresentaram um som seguro e bem trabalhado.
   A representante camaçariense da noite foi a última a se apresentar. A The Pivo's, que mistura um punk rock barulhento com influências dançantes do surf music, fez bonito e detonou com músicas já velhas conhecidas do público. Ítalo Oliveira na voz e na guitarra, Marcelo Sheeva no baixo e Reinaldo Bogous na bateria, formam o trio que fechou a noite com maestria, com um som competente e enérgico.
    O Lusco-fusco volta a agitar a cena alternativa da cidade. E então, que esperemos pelo próximo - o último rock do ano, dia 17 de dezembro, com declinium, The Clan, Código em Sigilo, Jota Pop e as soteropolitanas Macabéa e Headfones, lá no inferninho rocker, Bar da Cássia. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Meme um mês, 31 filmes - em um dia

   Através do blog de Deise Luz, fiquei sabendo sobre um meme cinematográfico que funciona assim: durante o mês de novembro, cada dia correspondia a uma categoria, e para cada categoria, se escolheria um filme. A idéia é ótima, mas a preguiça de postar todo dia sobre um filme me impediu de participar do meme. 
   Então foi que resolvi responder todas as categorias de uma só vez, me eximindo, por sinal, de dá muitas explicações porquê escolhi aquele filme. Né, eu tirei toda a graça do meme, mas o que vale a intenção, então vamos a ele:

Dia 1 - Filme da Minha Vida: O Fabuloso Destino de Amelie Poulain
Dia 2 - Melhor sequência inicial e melhor sequência final: Carne Trêmula e A Árvore da Vida
Dia 3 - Sessão da tarde Inesquecível: De Volta Para o Futuro
Dia 4 - Melhor diretor: Almodóvar
Dia 5 - Atriz e ator preferidos: Penélope Cruz e Selton Melo
Dia 6 - Com o coração na boca (melhor suspense/terror): Efeito Borboleta, não deixa com o coração na boca, mas é um belo suspense
Dia 7 - Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios: Crime Ferpeito
Dia 8 - Filme Cebola (mais triste de todos): A Cor Púrpura
Dia 9 - Filme mais romântico: Chocolate
Dia 10 – Filme de Guerra: O Menino do Pijama Listrado vale?

Dia 11 - Melhor drama: Má Educação
Dia 12 - Melhor Ano da História do Cinema: essa é a hora do 'cri cri cri...', eu não sei se houve um melhor ano do cinema, mas gosto das produções de 80/90
Dia 13 - Maior roubada cinematográfica: Invictus
Dia 14 - Batendo Papo (melhor diálogo): Obrigado por Fumar
Dia 15 - Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível): Volver
Dia 16 - Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole: Gru, de Meu Malvado Favorito
Dia 17 – Brasileirão: Estômago 
Dia 18 - Melhor Animação: Madagascar
Dia 19 - O melhor Faroeste: Bravura Indômita
Dia 20 - Melhor comédia romântica: Comer, Rezar e Amar
Dia 21 - Preto no Branco (Melhor Noir): vale Cães de Alugel?
Dia 22 - So you think you can dance (melhor musical): Os Irmãos Cara de Pau
Dia 23 - Melhor DR: Marina e Joaquim, de Seneamento Básico
Dia 24 - Melhor par romântico: Amelie e Nino, d'O Fabuloso Destino de Amelie Poulain

Dia 25 - Meu Vilão Favorito nos Filmes: Coringa
Dia 26 - Unha e Carne (Melhor Amizade): Marley e Eu
Dia 27 - Porrada (melhor cena de violência): Laranja Mecânica. Ultraviolence!
Dia 28 - Quente e Úmido (melhor sequência de sexo): Falsa Lora
Dia 29 - Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição): A Origem
Dia 30 – Marnunca (na verdade é Nunca mais - filme mais traumático, mas eu personalizo): A Casa de Cera
Dia 31 - Minha Vida em 3 sequências: Alice no País das Maravilhas, Escola de Rock e O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (eu não queria escolher esse filme mais uma vez, mas foi impossível)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Piegas

Parece coisa simples demais para derrubar lágrimas, alguns até acham meio cômico. No fundo até tem lá sua graça, do sorriso da ingenuidade travestida em pecado. Mas é amargo na maior parte das vezes. Só se escuta o silêncio, só se olha para o nada, como se sempre faltasse alguma coisa, tornando impossível viver sem inquietações a inundar a cabeça. Pode parecer fácil pra quem tem a vantagem do desapego e da alma leviana. Mas é penoso para as almas mais piegas, mais humanas.

domingo, 27 de novembro de 2011

The last rock of 2011



- Quando: 17 de dezembro, às 22h
- Onde: Bar da Cássia (Radial C - Camaçari)
- Quanto: R$5
- Bandas: The Clan, declinium, Código em Sigilo, Jota Pop, Macabéa (SSA), Headfones (SSA)

sábado, 26 de novembro de 2011

Intimemos o papai noel

   Ok, ainda falta quase um mês para o natal, mas né, em meados de outubro as lojas já estão tomadas pelas decorações típicas da época, tudo muito vermelho e branco, cheio de neve feita de algodão e vendedores com chapéu de papai noel. Admito, esse clima natalino me encanta. 
   Tudo bem, tem toda aquela discussão sociológica, antropológica, filosófica, do consumismo, das relações levianas, abraços mentirosos, sorrisos amarelos, coisa e tal, concordo. Mas o natal lembra a minha infância de forma máxima, é nesse período que recordo da felicidade em enfeitar a árvore de natal, montar presépio, esperar papai noel, se vestir a caráter, colocar guirlanda, pisca pisca, e até mesmo ouvir aquelas chatíssimas músicas de Simone e Fábio Junior.
   Hoje em dia deixamos de lado essa mágica infantil natalina, mas aproveitamos pra pegar as fotos antigas da gaveta e lembrar desses anos distantes (tá, nem tão distantes assim no meu caso). Acompanhados, é claro, de muito panetone, champanhe e peru, tudo muito bom. 
   Mesmo sem presente de papai noel, é o natal a melhor data comemorativa do ano, ou então a menos pior, quem sabe. Sem aquela felicidade colorida e músicas repetitivas do carnaval, e muito menos o forró e a fumaça, que tanto me incomodam no São João.
   E por fim, o natal tem a vantagem de ser no finalzinho de dezembro, fim de ciclos, momento de despedidas e de recordar as boas graças do ano.
   Que intimemos o bom velhinho!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Lusco-fusco


- Quando: 11 de dezembro, às 17h
- Onde: Restaurante Casa de Taipa (Radial B - Camaçari)
- Quanto: R$10
- Bandas: Ladrões Engravatados, The Pivo's, The Honkers (SSA), Velotroz (SSA)

- E mais: Intervenções visuais com o VJ Daniac + sorteio de R$500 em bônus para tatuagem e quatro piercings

domingo, 20 de novembro de 2011

Sem maquiagem, desajeitada e fala pouco

   Em meio aquele silêncio mórbido ouvi uma zoada, me lembro, um som rouco, batidas repetitivas, na verdade era só um 'toc toc' (som de alguém batendo na porta, segundo os quadrinhos), mas soava como uma risada maquiavélica, um som conturbador, daqueles de filmes de terror. E por soar tão intimidador assim, foi o medo que tomou conta de mim, daqueles tipos de medo que não encaramos, só apertamos uma mão contra outra, como se isso fosse resolver alguma coisa.
   Mas as batidas constantes me inquietaram, resolvi levantar da cama, calçar a havaianas e, arrastando o pé, ir até a janela olhar o que estaria causando aquele ruído. Era um ser meio torto, sandália de couro, magricelo, sorriso amarelo. Era a felicidade.
  A felicidade não é tão colorida como imaginamos, é em tons cinza e marrons, silenciosa, tímida, discreta, delicada, as vezes nem nos damos conta de que ela está ali. Os vaidosos se assustam: então é isso a felicidade? E riem esnobes. Os mais humildes a abraçam, recebem-na com maestria, oferecem uma xícara de café, as vezes até um pedaço de bolo. 
   A felicidade nem sempre leva sorriso no rosto, por vezes até chora, se entristece, se aborrece, fica confusa. Fala pouco, quase não se escuta, só conseguem ouvi-la quem se permite parar um pouco, sair da agitação, ir pra um canto mais calmo, tranquilo e sereno. Não faz alarde, não se veste extravagante. O pouco que fala, pronuncia com cuidado, como se estivesse com medo das palavras caírem, saírem bambas, e nesse ritmo 'tartaruguesco', diz assim: se quiseres chorar, chores, não plantes um rosto simpático sempre, pois desse jeito não alegras os outros, muito menos a si mesmo.
   Ela é sábia, disso eu já desconfiava, mas nem de tudo sabe fazer, não desenha com tanta perfeição, não é tão afinada assim, não sabe tocar violão, suas receitas as vezes passam do ponto, sua dança é meio esquisita, sua aparência não é de modelo - mas nem por isso usa maquiagem. 
   Quando eu a vi da janela estranhei aquela presença desajeitada, mas abri a porta, deixe-a entrar, fiz um suco, te dei biscoitos, mas ela recusou, tirou da bolsa uma garrafa de vinho barato, tomou um pouco, se deitou no sofá, e começou a ri, sem nenhum motivo aparente. E continua a gargalhar, até agora não sei o porquê, mas prefiro não perguntar, e lá precisa de motivos pra sorrir?

Música em Ação contra a pedofilia



- Quando: 02 de dezembro, às 20h
- Onde: Mega Star (Praça dos 46 - Camaçari)
- Quanto: R$10
- Bandas: Edy Vox, Ladrões Engravatados, Irmandade Roots, Gruta Sound System


Realização: Cabeçativa Produções

domingo, 13 de novembro de 2011

Um novo Almodóvar

Me lembro da primeira vez que li sobre o 'novo filme de Almodóvar': o diretor espanhol iria lançar seu primeiro filme de suspense. Pronto, de imediato me transformei em um mix de felicidade, histeria e expectativa. Toda nova notícia sobre o tal La Piel que Hábito era acompanhada por mim: a premiação em Cannes, o lançamento mundo a fora, e, finalmente, o lançamento no Brasil. Eis que então, depois de alguns dias de espera após a estréia do filme, estou eu lá, na sala de cinema, parecendo criança abrindo o presente no dia de natal. 

Agora um aviso: daqui em diante, esse post contém spoiler, quem tiver alergia, por favor, parar por aqui.

Uma mulher usada como cobaia por um cirurgião plástico obcecado em produzir uma pele muito mais resistente do que a humana, obsessão essa, motivada por uma tragédia do passado: sua mulher cometeu suicídio, numa atitude de desespero, após ver, espelhada numa vidraça da janela, sua imagem desfigurada, resultado de um incêndio quase fatal. Não bastante a morte da esposa, Robert, o cirurgião, passa a cuidar da filha Norma, que, abalada pelo acontecimento trágico, fica perturbada mentalmente, tendo que usar medicamentos psiquiátricos. Mas é um evento fatídico que faz Norma se afundar totalmente na loucura e enxergar no pai uma figura intimidadora e repulsiva, loucura essa que a leva a morte.
É sobre a ligação entre todos esses acontecimentos trágicos e Vera, a paciente que fica trancafiada na mansão do doutor e é usada como cobaia, que A Pele que Habito discorre. E tudo é feito com muita eficiência, através de um roteiro não-linear, que sempre recorre aos flashbacks, tanto para explicar os acontecimentos, quanto pra criar mais apreensão. É a nova cara de Almodóvar, que larga mão das cores exuberantes e constrói uma ambientação fria, que não é narrador de um personagem, mas sim de uma história.
Talvez uma história previsível, mas totalmente inacreditável, complexa e inquietante, contada de uma forma espetacular. Não é o suspense que arranca gritos e sustos, é pela sucessão dos fatos, pela construção da cena e da utilização dos diálogos que Almodóvar nos faz ficarem fissurados e apreensivos. Tudo isso completado pela belíssima trilha sonora e pelo leve e acertado toque do humor.



terça-feira, 8 de novembro de 2011

Cinza

O tempo lá fora é cinza,
Mas a chuva ainda não veio
Eu me aqueço, me esqueço
Com um dose de bebida
Mas não de você.
Trancada em um mundo tão meu
Mergulho em declinium
Que não sai mais de mim
Como um doce que me transporta
Pra um lugar qualquer.

Onde eu consigo enxergar 
Seus olhos

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quando o mundo inteiro fica cinza

   É como numa segunda-feira chuvosa só ter a si mesmo para abraçar, e ver o vento deixar o sabor amargo de solidão sob o nosso corpo desprotegido. Mas não foi uma segunda-feira chuvosa, nem ensolarada, nem outro dia fatídico, foram tempos difíceis, que pareciam intermináveis, carregados nas costas.
   Como aquela velha brincadeira do efeito dominó, cada peça enfileirada, e que, ao derrubarmos uma, acabamos por causar um efeito sucessivo que resulta num desmoronamento quase instantânio, tudo está no chão, tudo foi a baixo. Um efeito gradativo e harmônico.
   Mas não é harmônica a tristeza que nesses dias se estendem, é distonante, desritimada, contudo, constante. Mistuando-se a saudades, angústias, dúvidas, desesperos e inquetudes, tornaram-se bixo papão, que atormenta por longas noites, não em cima do telhado, mas na alma, coisa pior.
   Talvez seja uma luxúria querer entender o mundo, ou mais do que isso, controlar a vida, como se tudo isso fosse um jogo de tabuleiros e o lance da vez estivesse em nossas mãos.
   E é nessa sensação de impotência que se desmoronam as lágrimas mais doidas, todo dia se transforma em segundas chuvosas, em domingos solitários, em terças depressivas, todo dia nos refugiamos em decadência e nos perdemos de nós mesmo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

2º Comendo, conversando e postando

   Discussões políticas, questionamentos amorosos, relacionamentos, filosofias de vida, lembranças de infância e adolescência, livros, filmes, receitas, projetos para o futuro. O que não faltou foi assunto para o segundo Comendo, conversando e postando, encontro entre as três blogueiras mais talentosas-na-cozinha do Brasil de Camaçari: eu, Magnólia, dona do 2 Altos, e Deise, do Sete Faces.
   Pra começar, deliciamos uma lasanha quatro queijos, feita por mim minha tia. E, de sobremesa, um doce de goiabada com leite condensado dos deuses, feito por Deise com a colaboração de sua querida mãe.
   Pronto, agora era a hora do filme: O Rei Leão. Esse clássico da Disney marcou a infância 90, e comigo não poderia ser diferente. Tanto que chorei quando Mufassa morreu e Simba ficou sozinho. Mas, vamos combinar, qualquer pessoa com coração doce fica, no mínimo, abalada com esse filme. Nossas carinhas assistindo pareciam de criancinhas encantadas.
   Depois do filme findado e da gente recuperadas da emoção, fomos comer a torta búlgara feita por Meg pela mãe de Meg, uma delícia de chocolate meio amargo, com direito a estrelinhas colorida e creme de leite. 
   Um encontro cheio de comidas deliciosas, filme lindo, conversas supimpas e companhias adoráveis. Esperemos então pelo próximo episódio.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Oi, quero ser seu amigo de infância

   Pessoas inconvenientes que simpatizam com sua pessoa (?) e por isso resolvem ser suas amigas pra sempre, ou que simplesmente são sadistas e têm o prazer barato de te irritar. Pois é, conheço muito, conhecimento do nível que dava pra escrever um artigo. 
   Essas criaturas são como praga, estão em todos os cantos, em cada esquina, em cada fila de banco, sala de espera de dentista, ponto de ônibus, enfim; onde houver vida, pode ter certeza, há um ser chato que vai te irritar, e sobretudo estes, que insistem em estabelecer uma conversa, mesmo que você não esteja disposto a isso. E posso dividi-los em três tipos, vamos a eles:

1. Que horas são?
   Esse tipo não chega a incomodar, talvez seja apenas uma indicação que você transmite simpatia (?). As interações costumam ser 'por favor, poderia me dizer as horas?' ou 'como é que eu faço pra chegar na Rua Onde o Vento faz a Curva?' Coisa simples, que não me aborrece nem nada. 

2. Vamos fazer um abaixo assinado
   O tipo dois também não chega a me incomodar, mas me deixa um tanto desconcertada, admito. É aquela gente que tá no ponto de ônibus com você, e, percebendo a demora do transporte, diz 'A gente tem que fazer um abaixo assinado pra melhorar a situação'. Ou então aquela pessoa que tá na fila do banco e fala 'Deviam colocar mais atendentes, isso é um absurdo'. Por sinal, são nesses lugares que conhecemos as pessoas mais engajadas e reacionárias desse mundo.

3. Você mora onde?
   Chegamos ao tipo odiado, temido e irritante. É aquela gente que senta ao seu lado no ônibus e quer saber sobre toda a sua vida. Me impressiona a disposição em que esses seres têm em se tornar seu amigo de infância. Querem saber seu nome, sua idade, pra onde você vai, que curso você faz, qual semestre você está, onde você mora, onde trabalha, o que gosta de fazer nas horas livres, qual o tamanho do seu sapato. E digo: me dá medo.  Esse tipo é aquele que você deseja o mal pra sempre, que te importuna e que, infelizmente, sempre encontramos por aí.

domingo, 16 de outubro de 2011

Do saudosismo ao futurismo

   Entre as ladeiras de pedra, os casarões coloridos e a vida agitada de Olinda, região metropolitana de Recife (PE),  cinco jovens criavam uma das mais bem conceituadas bandas do novo cenário alternativo nacional. O ano era 2001, Felipe, Marcelo, Samuel, Vicente e Chiquinho formavam a Mombojó, uma mistura de indie, rock alternativo e manguebueat.
   Creio que a maioria que lêem esse blog conhece e sabe do que eu tô falando: letras nonsenses, calmaria, som trabalhado, voz carregada de harmonia e sotaque. Mas tudo isso é pra construir o ambiente, venho mesmo falar de dois CD's da banda, o nadadenovo e Amigo do Tempo.


   Lançado em 2004, nadadenovo foi o primeiro álbum do grupo pernambucano e contêm 15 faixas. Uma mistura, sonoridade que parece ter sido construída com cuidado; cada batida, cada distorção, cada teclado: tudo parece ter sido montado com precisão. Até mesmo o som monofônico de um celular tocado sem querer na hora da gravação parece ter sido de propósito, casou e ajudou a elaborar a música. O disco é pura poesia, cheio de riffs, sons dedilhados, bossa nova, toque charmoso do manguebeat. Destacam-se as músicas Deixe-se Acreditar, Faaca, Merda e Nem Parece, por sinal, as duas primeiras, um dos poucos momentos enérgicos do CD.


   Já em 2010, Mombojó lançou o Amigo do Tempo, seu terceiro álbum. Com uma banda muito mais madura, nesse trabalho o grupo não deixa de lado o rock alternativo, mas o manguebeat cede espaço para as batidas eletrônicas. São sintetizadores afiados, sons inorgânicos, uma linguagem muito mais pop do que a antiga obra do grupo olindense. Notoriamente, um trabalho muito mais ambicioso, que não se detêm as canções melódicas e arrisca-se a uma nova roupagem, mas que não perde a linha. Apesar da diferença clara dos dois discos, facilmente percebemos, trata-se da mesma banda, com a mesma disposição, mas em tempos diferentes.
   Se em 2004 eles nos apresentavam a fluidez das vozes suaves, os sons quase nostálgicos; em 2010 Mombojó acelera, eis as batidas sequenciadas e eletrônicas do futuro.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Música em Ação: outubro rosa


- Quando: 30 de outubro, às 17h
- Onde: Mega Star (Praça dos 46 - Camaçari)
- Quanto: R$10
- Bandas: Edy Vox, Ladrões Engravatados, Psicopop, Reggae Steady, Gruta Sound System, H-Drix (SSA)


Realização: Cabeçativa Produções

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Onde mora a liberdade

Voar, ser um grande artista, muito rico, encontrar a pessoas que sentimos falta. Nos sonhos tudo isso é possível, sem muito esforço, nem nada.
É um espaço paralelo, no qual não existem leis físicas, barreiras, fronteiras, limitações ou gravidade. Elfos, sereias, monstros, fadas: todos existem, convívem, se misturam.
Muitos podem dizer que é tudo irreal e imaginário. Mas é de sensações que eu estou falando.
Amores, desejos, medos, angustias; o impossível transforma-se em factível e palpável. Nos sonhos somos muito mais nós mesmos do que nunca, é lá que mora a liberdade.

sábado, 1 de outubro de 2011

Curto e grosso: Sobre A Árvore da Vida, Cisne Negro, Água para Elefantes e Carne Tremula

   Um dos filmes mais esperados de 2011, A Árvore da Vida nos faz acreditar que o cinema estadunidense pode, sim, fugir de todos os clichês hollywoodianos e alcançar a maestria. Não é um filme pra se ver comendo pipoca ou pensando em se distrair, é pra sentir, assistir com a alma. No meio do turbilhão de cenas nonsense e extremamente admiráveis, Terrence Malick conta a história de uma família tradicional, com um pai autoritário e machista que descarrega todos os seus infortúnios em seu filho mais velho. Através da subjetividade, A Árvore da Vida disserta sobre a relação de pai e filho, ou melhor, de criador e criatura; desde 'a origem do mundo', até o que seria 'o fim dos tempos'.  

   Um drama intenso, inquietante, denso e eficiente. Cisne Negro afirma-se como uma das obras mais comentadas do ano com sua complexidade e cenas encantadoras. A história de uma jovem e frágil bailarina, que alimenta uma compulsão quase doentia pela perfeição, e por isso, mergulha num universo imaginário, sombrio e conflituoso. Porém, o grande confronto de Nina é com si mesma, que precisa vencer seus medos e obsessões. A bem sucedida obra de Darren  Aronofsky encanta, sobretudo, pela fotografia exuberante.

  O velho romance aguado e sem graça: é o que podemos dizer de Água para Elefantes. A história por trás do romance, talvez o faça um pouco mais tragável. Um circo cujo dono extremamente autoritário e arrogante destrata funcionários e maltrata animais; um jovem abandonado pela vida que, por acaso, começa a fazer parte da Companhia dos Irmãos Benzini, causando reviravolta na vida daquele circo. O insosso filme, que traz o inexpressível Robert Pattinson como ator principal, não cativa, tampouco emociona.

   Mais uma vez Almodóvar me seduz. E é esse o clima de sedução que Carne Tremula apresenta. Para Victor, um romântico e inocente, Elena foi sua primeira mulher; mas para a jovem, ele foi apenas mais um com o qual se envolvera. Insistente, o rapaz entra no apartamento de Elena, o que resulta numa briga trágica; não sabendo ele, que o episódio o marcaria para sempre. Quatro anos mais tarde, Victor, Elena e os dois policiais que interviram na briga do casal estão com as vidas totalmente reviradas, mas um reencontro entre os personagens faz voltar a tona o conflito daquela noite fatídica. Amor, sexo, obsessão, tragédia: é isso que Carne Tremula traz, através de cenas cruas e de um roteiro extremamente eficiente.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Noite Fora do Eixo


- Quando: 11 de outubro, às 21h
- Onde: Mega Star (Praça dos 46 - Camaçari)
- Quanto: R$5
- Bandas: Declinium, Clube de Patifes, Pastel de Miolos (Lauro de Freitas), Heróis de Aluguel (Feira de Santana), Casa de Vento (Feira de Santana), Mamutes (SE)


Realização: Capivara Coletivo Cultural
Noite Fora do Eixo
- Quando: 11 de outubro, às 21h
- Onde: Mega Star (Praça dos 46 - Camaçari)
- Quanto: R$5
- Bandas: Clube de Patifes, Declinium, Pastel de Miolos (Lauro de Freitas), Casa de Vento 
(Feira de Santana), Heróis de Aluguel (Feira de Santana), Mamutes (SE).


Realização: Capivara Coletivo Cultural 
Apoio: Circuito Fora do Eixo, Casa de Taipa, CompuDesign

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Conto de fadas brasileiro

   Depois que Tititi terminou eu fiquei desacreditada que me apaixonaria tão rapidamente por uma novela de novo. Mas aí a Globo lança Cordel Encantado, que me fez rever o dito. E dessa vez é sério: Cordel merece esse post!
   Trama que mistura contos de fadas com histórias típicas do sertão nordestino. Rei e cangaceiro dividem cena, príncipe e coronel disputam a mesma dama. Não só pela eficiência de misturar dois universos tão antagônicos, a trama das seis encanta porque tem um elenco lindo, uma trilha impecável, fotografias belas e direção de arte fabulosa.


   Os sons ficam por conta de Gilberto Gil, Lenine, Nação Zumbi, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Karina Buhr, Alceu Valença, Maria Bethânia, Otto e Luiz Gonzaga. Ou seja: só mestre! A sonoridade assume também o papel de desenhar a trilha, de emocionar, de ajudar na construção da história.
   Mas as imagens também são ímpares. A fotografia de Cordel Encantado - muito diferente das habituais utilizadas nas novelas -  ajuda a compor a história, ambienta para a década passada e para o sertão nordestino, dá ar de fábula, de magia e coisa encantada. Além disso, a cena é minuciosamente composta, por  figurino tão bem escolhido e cenário de encher os olhos.
E tudo se completa com o ótimo texto e a direção competente.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ela já passou por aqui!

   Imaginem uma cena: procuro uma pessoa desesperadamente, não sei onde encontrá-la de nenhuma forma, o celular está desligado, o GPS pifou, as esperanças estão se esgotando. Já fui por toda parte, mas nada funciona. É então que acontece uma coisa sublime e sensacional, caída no chão, encontro a pulseira que essa pessoa costumava usar, e logicamente penso “Fulaninho já esteve por aqui, tô no caminho certo!”.
   Agora vamos pensar um pouquinho: qual a probabilidade disso acontecer? Quase nenhuma, é sabido. Quer dizer, isso na vida real, nessa nossa vidinha cotidiana, comum, que todo mundo conhece. Mas há um mundo em que coisinhas sublimes assim são muito comuns: nas novelas. As novelas fazem parte de um mundo paralelo, onde coisas mirabolantes acontecem com naturalidade e coisas naturais acontecem como mirabolantes.
   Nas historinhas televisivas, se você procura por alguém, sobretudo se essa pessoa foi sequestrada, corre um perigo mortal ou está fazendo uma coisa muito da errada, não tenha dúvida, você vai olhar pro chão e encontrar uma jóia, um botão, um fio de cabelo, um bilhete, uma gota de sangue, uma peça de roupa, enfim, qualquer coisa que a indentifique e te alerte que ela esteve por alí.
   Agora, já pensou se as coisas realmente funcionassem assim? Ajudaria a polícia a solucionar investigações, a crianças que se perderam dos pais, a você que tá atrás da pessoa amada. Por outro lado, quem fizesse algo as escondidas teria que tomar todo cuidado do mundo para não deixar sequer um fio de cabelo cair, porque aí, certamente alguém passaria pelo local, acharia esse fio e saberia: “ela já passou por aqui!”.

sábado, 10 de setembro de 2011

Uma história linda e mirabolante

   Meu amor por Almodóvar é porque ele traz sempre a direção de arte impecável e a história surpreendente, mas que mesmo assim consegue não ser sempre o mesmo.
   O filme da vez é  "Tudo sobre minha mãe" de 1999, mais um drama, intenso e questionador, estrelado por Cecilia Roth e que conta ainda com as atuações de Marisa Paredes e da linda Penélope Cruz. 
   Não é só por causa dos inúmeros prêmios e indicações que o filme teve, "Tudo sobre minha mãe" vale mesmo porque é uma película linda, que conta a história de Manuela, uma mulher que, após ver a morte de seu filho, retorna a Barcelona para encontrar o pai do garoto, o qual ele nunca conheceu. Porém esse homem não é tão comum assim, e a busca de Manuela é o grande universo do filme, é quando ela reencontra Agrado, sua antiga amiga inusitada, é quando conhece a Irmã Rosa, mulher que parece está traçando seu mesmo destino, além de também conhecer Huma Rojo e Nina, atrizes de uma peça teatral que marcou a sua vida por duas vezes.
   O conflito de uma mulher que o tempo todo se esbarra em si mesma e em suas próprias convicções, mas que é sempre forte e segura do que faz, que encara a vida e, acima de tudo, carrega em si uma bondade incrível. Personagem, que de certa forma, se contrapõe com Rosa; apesar de terem um destino parecido, Rosa - encenada por uma Penélope muito jovem, porém já muito competente - é frágil e insegura.
   "Tudo sobre minha mãe" é marcado por três Estebans, todos em tempos diferentes e cumprindo seus papéis distintos, mas é a partir deles que tudo se desenrola. Porém, se é pelos Estebans que a história existe, é através de Manuela, Rosa, Nina, Huma e Agrado, com suas personalidades ímpares e suas peculiaridades, que tudo acontece.



domingo, 4 de setembro de 2011

Apenas o fim

É estranho está aqui nesse corpo imóvel, sem poder mover aquilo que por tanto tempo era tão inerente a mim. Mas eu acho que já faz algum tempo que eu permanecia imóvel, parado, estagnado, é... Parece que não é uma situação assim tão nova. Continuo ouvindo o vento passar pela janela e os carros voarem lá fora, ainda dá pra sentir o cheiro da vodka derramada e do quarto empoeirado, mas meu nariz não coça mais. Foi devagar, pouco a pouco fui perdendo a sensação dos dedos, dos braços, até não sentir meu corpo por inteiro. Me pergunto ainda se essa é a tal sensação de paz que tantos falam, de não se senti mais parte desse mundo. (...)
De nada adianta rostos sorridentes se sua alma está perdida dentro de você, se o seu ser não sabe quem você é de verdade e a sua única obrigação é continuar a obedecer a ordem natural da vida saudável. (...)
O cara legal se tornou o cara chato e carrancudo. É engraçada a vida, o que ela faz com a gente. Ela nos faz pegadinha, brinca com a nossa cara, goza da nossa impotência, muda o nosso rumo. Pra mim ela foi cruel, ou, talvez, eu tenha sido cruel com a vida. Me estraguei pouco a pouco, cavei a cada dia a minha cova, delicadamente pronunciei o meu fim. (...) 

Emile Lira
*trecho do meu futuro livro

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mu'dança

   Embora não aparente tanto assim, eu sou uma pessoa inquieta, incansável, inconstante e vários desses ins e afins. Eu vejo a mudança como clímax, como a máquina da vida, é aquilo que impulsiona. Além de necessária, a mudança é inevitável, e como diria a sábia Aninha "o mundo dá voltas!". Parece óbvio para alguns esse lance todo de mundo que gira, mas escondido no óbvio existe algo mais substancial: é o movimento. O movimento é o que acelera o nosso ser, é essa inconstância que faz a vida ser um pouco mais tragável. 
   Esse papo meio incoerente surgiu mesmo por causa do novo layout do blog, confesso, não partiu de nenhuma meditação e nem pelo uso de substância que elevam a alma, foi coisa de gente frufru mesmo. É que tudo parece muito simples em nosso cotidiano, ingerimos os fatos, convivemos, e muitas vezes nem nos damos conta de umonti de coisa que há nisso tudo. 
   Essa coisa da mudança do layout causou comentários até, me falaram assim "pare de ficar mudando, crie uma 'marca' para o blog". Mas questiono, porque qualquer identificação ou consistência que há por aqui no Insano Mundo Estranho é - e deve ser - puramente conteudista, é essa minha visão de mundo e esse meu jeito que deve traçar uma linha por aqui, não um plano de fundo, porque esse é superficial e varia, varia de acordo com meu estado de espírito, e vai continuar variando, porque, repito, amo a transformação.
   Tem um texto de Edson Marque bem bacana que diz umas coisas legas: "o mais importante é o movimento, o dinamismo, a energia", veja o quão simples e bela é essa frase, é a exaltação da mudança, da chama que permeia o ser. Porque fazer o que já se faz todo dia é muito fácil, muito cômodo; é só a partir do novo que se abrem as novas possibilidades, que se dá luz àquilo que permanecia obscuro. É com a mudança que tudo se move, que a vida dança!

Dia Municipal do Rock 2011



- Quando: 06 de setembro, às 20h
- Onde: Mega Star (Praça dos 46 - Camaçari)
- Quanto: R$5 + 1kg de alimento não perecível
- Bandas: Declinium, The Pivo's, The Clan, Código em Sigilo, Casa Verde, Psicopop, The Baggios (SE)


Realização: Associação Cooperarock + Capivara Coletivo Cultural

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Don’t make me hate you







Eye to the sky
My eyes cry
But don't forget me
Don't make me hate you
I'sad too
And you know why
Don't pretend not
Don't make me hate you



O que falaram de mim

E o que é que tem pra hoje? É um texto de autoria de Camila Cunha, minha amiguinha jornalista. Ou seja, tem um montedecoisa aí que é pura rasgação de seda da parte dela. HÁ. Por exemplo, esse blog não é lá muito interessante, nem famoso, nem legal, nem nada disso, é tudo sonho meu. É que na hora da entrevista eu tava me sentindo a tal, porque né, ser entrevistada, sobretudo por ela, não é pra qualquer um. Então leiam aí o texto supimpa de Camila.

Pequena Insana
Conheça um pouco mais sobre a autora do “Insano Mundo Estranho”                                                                                   

Camila Cunha

    Dona de uma fala mansa, um sorriso tímido e olhos cativantes, essa pequena jovem de 18 anos se chama Emile Lira e é autora do então famoso blog “Insano Mundo Estranho” que aborda música, cinema, literatura e cultura em geral, o qual conquistou o público com suas críticas inteligentes e divertidas.
   Inicialmente o blog era de uso pessoal, como conta Emile, era um meio de expor o seu ponto de vista a cerca dos assuntos que ela mais gosta: shows, filmes, livros, músicas, tendo bastante destaque a música baiana e o seu cenário, no qual ela diz: “As pessoas não dão valor a música que é produzida na Bahia. A música de qualidade não é mostrada aqui, não é de acesso fácil para as pessoas, isso é lamentável!” ela confessa ainda que o blog inclusive foi decisivo para ela escolher o curso de Jornalismo. Com o passar do tempo, as pessoas começaram a acompanha-la, a gostar do seu jeito de escrever e em surpreendente as bandas as quais ia para o show. Emile ressalta que toma bastante cuidado quanto à abordagem de expor sua opinião sobre as bandas nos shows que frequenta, e revela ainda, que tem músicos que perguntam de maneira bem curiosa e positiva sobre o que ela vai escrever depois de ver a apresentação.
   Mas não é só de rock and roll que Emile gosta de falar, assuntos controversos tem seu lugar garantido no blog: “Para muitos blogs há uma grande censura ainda de falar sobre determinados assuntos, como por exemplo: descriminalização da maconha, religião, causa homossexual ,entre outros. No Insano Mundo Estranho tem espaço para todos os assuntos, até mesmo para os mais polêmicos.” Entre outras palavras, Emile diz que o blog não é somente entreter, mas também informar as pessoas.
   Com o crescimento do blog, Emile diz que pensa no futuro em expandi-lo, em torna-lo comercial e admite modestamente: “Nunca pensei que o meu blog fosse o que ele é hoje. Eu fico muito feliz e espero que o público curta cada vez mais!”.  Então fica aqui a recomendação: acessem o “Insano Mundo Estranho” e descubra mais sobre essa pequena insana baiana.

domingo, 7 de agosto de 2011

Rapidinha: Sobre Canções de Apartamento

   Musicalidade, poesia, doçura: é tudo o que Cícero traz em seu primeiro CD solo intitulado Canções de Apartamento. Com o violão as sustentando, as músicas intimistas, além de letras sentimentais, trazem melodias suaves, reforçadas com a voz do artista, que é cheia de melancolia. Ouvir Canções de Apartamento é entregar-se a lenta viagem relaxante para a mais pura contemplação.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Ausência

Não há mais nada a sentir
Não há mais nada a dizer
Sem motivos pra existir
E então, pra quê viver?


Sem mais nenhuma razão
Sem nada pra me aquecer
Os dias passam em vão
Deixo o vazio me entorpecer.


Sem você a me esperar
Não há motivos pra insistir
Meus dias passam devagar
Suas lembranças ainda em mim


Enquanto sua ausência me embriaga
Assisto sua amarga encenação
Que finge ignorar a calma
Que mutua nossa direção


Só quero que a morte
não escute meus lamentos.
Espero que a morte
esqueça os meus sofrimentos.