O sonho um dia morre,
A vontade se esgota,
O tempo a desfaz
A vida bate a porta
E apaga com os planos,
Mas escrevo e canto
Como o grito de sufoco
Da angústia em meu peito.
A inspiração não morre
Quem sonhou em ser poeta
Já é só pelo sonhar,
Mas o quase não me deixa esquecer
De tudo que tinha de ser
E não foi
Quando me vejo só,
Alimentando as vontades loucas,
As palavras me consolam
E só elas conseguem entender
A dor de saber
Que foi em vão,
Que corro sem direção
E resta só o dissabor
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
A dignidade de ser
Quem gritem por aí que só tem ateu agora porque é modinha, continuo levantando a bandeira do laicismo, e por sinal, não precisa não crer em deus para defender uma nação que efetivamente assegure a livre manifestação religiosa, sem privilégios, preconceitos e violência, e que a fé seja um direito individual, não fazendo com que os dogmas das religiões predominantes sejam impostas a todos.
Não consigo engolir religiosos extremistas (como esses tipos Malas que vão na tevê falar abobrinha e gosta de se meter na vida e nos direitos alheios). Mas também acho chato os ateus que se julgam superiores, mas que na verdade são a cara do preconceito.
Respeito e tolerância são essas duas palavras que alimentam a nossa vontade de ainda presenciar uma sociedade que pratique o pacifismo, e ser ateu ou crente (de todas as formas de crenças) não seja motivo para julgamentos.
Esse papo todo é pra dizer que fiquei super feliz com o artigo de José Medrado hoje no jornal A Tarde. Precisamos de mais gente proliferando essa ideia no mundo.
Segue o texto:
"Há umas três semanas, fui assistir à missa na paróquia da Vitória, celebrada pelo meu amigo Pe. Luís, e depois fomos almoçar, onde trocamos ideias sobre assuntos comuns aos humanos. Naquela oportunidade, pude receber algumas caixas de leite para a Cidade da Luz, produto de uma campanha que o clérigo realizou entre os seus fiéis. Nestes dias em que está em pauta sensata o direito dos atues - por que não? -, vejo que faltam ações concretas que evidenciam encontros, integração mais sistemática entre os crentes em si e ateus, na busca de um diálogo comum, de uma metafísica includente que, como bem disse o teólogo Ian Barbour, é o encontro de conceitos gerais em cujos termos sejam possíveis interpretar diversos aspectos da realidade.
Os conflitos que permeiam as relações das pessoas sobre o tema do crer ou não nascem, em geral, pela arrogância a que alguns profitentes religiosos são levados pelos seus líderes, sentindo-se superiores em suas religiões, em detrimento de tudo e todos. O ser humanos tem um caráter intrínseco de sociabilidade natural, mas, infelizmente, as religiões, em particular algumas neopentecostais, têm buscado o poder político e econômicos como forma de supremacia em um país laico, onde, lamentavelmente, vemos o governo se dobrando a alguns segmentos religiosos, relegando inclusive, certas ações sociais ao esquecimento, por conta de pressões religiosas. Refiro-me, por exemplo, ao processo educativo conhecido como o kit gay, que, na verdade, nada mais era do que a educação dirigida pelo respeito às diferenças. O governo cede às religiões, a fé se sobrepõe à educação, ao bom senso.
Tenho, permita-me, caro leitor, a alegria de ter amigos em vários segmentos religiosos e de ateus, sem qualquer demagogia, que muito me enriquecem em seus labores pela causa do bem, em uma cosmologia mais ampla, a do ser homem de bem, pois em nossos encontros esquecemos as diferenças e nos concentramos nos pontos comuns, na riqueza da harmonia de uma grande orquestra, onde o importante não é a religião, mas a dignidade de ser, crentes e ateus".
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
30 dias de ódio
Como é costume eu resumir desafios de listas em um só post (como o Desafio Musical e o Meme de Filmes), com esse não vai ser diferente. O desafio 30 dias de ódio não tem um cunho tão cultural assim, mas não é segredo que eu adoro responder questionário, então resolvi responde-lo e expressar um pouquinho do meu lado raivinha.
1 - Um ódio que você acha que só você tem: blocos de grama (como a imagem deste link)
Parece meio ridículo... Na verdade é bastante ridículo, mas me dá ódio ver aquelas gramas quadradinhas juntas, sem formar uma sequência. É muito agoniante ver. Sempre que passo por algum lugar assim, tento virar o rosto.
2 - Uma habito que você odeia nas outras pessoas: achar que todos têm a obrigação de ouvir a sua música
3 - Uma música que você odeia: Que isso novinha
Ah, num mundo de pagode, forró eletrônico, arrocha, sertanejo universitário, Chiclete com Banana, Belo e tantas pérolas, fica difícil citar apenas uma música odiante. Mas essa onda de 'que isso novinha!' (em todos os ritmos do mundo) tá num altíssimo nível de chatice.
4 - Um ódio gastronômico: muqueca
5 - Uma citação que você odeia: "morra pra si, viva pra deus"
Me dá nojo frases preconceituosas ou atrasadas, vide as citadas no 'Desconstruindo', como "Esse é o país que vai sediar a copa?", "As mulheres têm culpas por serem estupradas", "Pra mim todo maconheiro deveria morrer", "As famílias estão se perdendo", "A música morreu" e "Ser gay virou moda". Dia desses vi na internet uma campanha evangélica, e uma imagem estampava a frase "Morra pra si, viva pra Deus". Repugnei. Por mais que você seja teísta, essa frase reflete um grande negativismo.
6 - Um cheiro que você odeia: acarajé
7 - Uma situação que você odeia estar: presenciar brigas
8 - Uma giria que você odeia: sinistro
Meu, cara, e todas essas gírias super paulistas, super cariocas, super malhação: odeio.
9 - Um sotaque que você odeia: carioca
10- Um filme que você odeia: Pagando bem, que mal tem?
Filmes bobalhões de comédia barata, romance água com açúcar, aventuras juvenis. Citar Crepúsculo ou High School Music? Clichê. Se tem um filme que parei para assistir esses últimos tempos e foi um grande arrependimento é Pagando bem, que mal tem?
11- Uma palavra que você odeia: moral
Porque geralmente nessa palavra vem embutida uma alta dose de preconceito.
12- Um esporte que você odeia: F1
Acho chato assistir, provavelmente não é chato praticar.
13- Uma frase de atendente de telemarketing que você odeia: Um frase? Telemarketing já é detestável por si só.
14- Um meme que você odeia: esses de 'acorda Brasil!'
15- Uma coisa que você odeia encontrar na comida: pimentão
16- Uma banda que você odeia: Aviões do Forró
17- Um sabor de sorvete que você odeia: odeio é quando não tem sorvete
18- Uma personagem de série ou novela que você odeia: Serena
É antiga essa personagem, mas a Serena de Alma Gêmea vai ficar marcada eternamente por ser chatíssima.
19- Um livro que você odeia: O Mexicano
Eu queria citar um livro super chatinho que li, mas por motivos de 'vamos evitar causar intriga' melhor deixar pra lá. Então vai aí O Mexicano, que não bastante ser chato, fui obrigada a ler para a escola.
20- Um lugar para onde você odeia ir: feira
21- Uma peça de roupa que você odeia: saruel
22- Uma modismo que você odeia: corrente de prata
23- Um jogo de tabuleiro que você odeia: não tenho ódio com jogos de tabuleiro
24- Uma bebida que você odeia: Campari
25 - Um vídeo do youtube que você odeia: aff, sei lá, não ando vendo muitos vídeos no youtube
26- Uma coisa que você odeia ter feito em sua vida: falha-me a memória
27- Um(a) apresentador(a) que você odeia: Rodrigo Faro
28- Uma frase que seus pais falem e você odeia: o filho de não sei quem faz isso e aquilo, você deveria fazer o mesmo. Acho que todos os pais falam isso.
29- Uma piada que você odeie: As machistas são as piores
30- Um ódio gratuito: telefone tocando
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Desconstruindo: acorda Brasil!
Um dos dizeres mais contemporâneos explanados no 'desconstruindo', mas nem por isso menos retrógrado. Um discurso antigo, inflado pelas elites e adotado pela classe média.
"É esse o país que vai sediar a Copa!"
Nessa nossa 'era facebook' escandalizou-se um certo tipo de cidadão, ele gostaria de ter nascido em qualquer país do mundo, menos no Brasil, porque em seu discurso, o Brasil é o retrato da decadência. No vocabulário, clássicos como 'é esse o país que vai sediar a copa' e 'acorda Brasil', e toda e qualquer coisa que massifique o quanto o brasileiro é alienado por novela, carnaval e futebol, os políticos brasileiros são corruptos, a cultura nacional é medíocre e nada presta por aqui.
E não é que eu ache o nosso país um paraíso, mas esse tipo comete dois principais erros: primeiro desconsiderar as falhas de todos os outros países, e também por descartar qualquer qualidade que o Brasil tenha.
Não quero pregar o nacionalismo, longe disso, não condeno agraciar a cultura de outros lugares, até porque gosto de umonti de coisa gringa, mas vestir a roupa do depreciativo exala uma certa visão critica superficial. Achem-se intelectuais o quanto quiser, pra mim essa maré de foda-se-novela-futebol-carnaval-cerveja-bbb-cultura-pop-brasil-pais-dos-impostos-politicos-ladroes é uma grande levianidade - e chatice. Ser crítico é muito mais que isso.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
domingo, 16 de dezembro de 2012
Curto e grosso: Sobre Paraísos Artificiais e Eu Matei Minha Mãe
Colocando em cena as raves, em Paraísos Artificiais, Marcus Prado parece querer explorar esse universo sem se preocupar em fazer julgamentos. Embalado por uma trilha sonora de música eletrônica, o filme escancara o uso das drogas, imprimindo um discurso de que elas são a porta para esse paraíso artificial. Mas sem apologia. "As drogas são o que você quer, levam pra onde você quer" diz um dos personagens. Essa dualidade é o que o longa retrata: o uso das drogas para a exaltação ou como raiz de problemas, sem fazer desses dois 'caminhos' divergentes. Mas além do discurso e cenário, a história não é das melhores. Ainda com uma visão libertária, o autor discorre com naturalidade sobre sexualidade e 'os diferentes tipos de amor', porém o romance vivido entre Érika e Nando não convence, além de trazer personagens rasos. O argumento um tanto fraco é aliviado pela montagem, que, trazendo uma falta de linha temporal precisa, torna a narrativa mais atraente.
O canadense Xavier Dolan surpreende em Eu Matei Minha Mãe: escreveu o roteiro quando tinha 16 anos, e quatro anos depois dirigiu, produziu e atuou no filme. Uma semi-autobiografia, o longa narra um típico problema adolescente: o relacionamento conflituoso com a mãe. Em uma espécie de confissão, Hubert desabafa e demonstra que essa relação é muito mais do que revolta e ódio, mas uma mistura de amor e incompreensão. Os dois se vêm como estranhos e não conseguem entender o afastamento que eles tiveram depois que Hubert cresceu. Ao mesmo tempo em que o garoto é o retrato de um menino mimado, ele é maduro em suas convicções e uma figura solitária. Com uma narração simples, Eu Matei Minha Mãe se destaca pelos diálogos e pelo intimismo gerado. O erro de Dolan foi criar com certo descuido (beirando ao caricato e da praxe 'a grama do vizinho é sempre mais verde') um antagonismo entre o relacionamento que ele tem com a mãe e a relação que seu namorado Antonin tem com a mãe.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Dos laços desfeitos
Seu único motivo é ser feliz. Por isso despiu-se do ego, botou-o de lado, no fundo daquela gaveta, a última do armário. Foi difícil largar a teimosia. Doeu o orgulho de quem costuma se recusar a dá o primeiro passo, o passo de uma dança complexa. Arriscar não era seu hobby, pelo menos não o coração, pois ele já estava cheio de remendas, e com qualquer tropeçãozinho poderia se desfazer.
Mas ela nem sabia que tinha aprendido um tiquinho: mestre tempo. A dor sempre assola as almas maltratadas, mas analgésico pra alma é levá-la pra passear.
O dilema maior era mesmo a incerteza que se estendia desde a segunda-feira, ou desde o dia que não viu mais o laço que se formava toda vez que o olhar se cruzava. Agora parecia fraco, desses que se afrouxa sem quase trabalho algum. Ela até se que segurava no resto da fita que sobrou, mesmo o nó desfeito.
Ela era atéia, mas rezou pra que tudo fosse só um sonho ruim e que quando o dia chegar não restar nem a lembrança.
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