quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quebrando paradigmas: é rock em todos os cantos

   Som preciso, seguro e bem conduzido: foi assim que se apresentou a Declinium, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Salvador Shopping. A música carregada de melancolia da banda combinou muito bem com o ambiente, fez a platéia acompanhar as canções e admirar com entusiasmo o show um tanto diferente do grupo. Mesmo que sentíssemos falta da disputa feroz para ficar frente a frente com a Declinium, o que sempre rola nos sons do quarteto, Oreah, comandando os vocais, conseguiu externar toda a energia inerente a banda.


   Mas quem depois subia ao palco foi a feirense Clube de Patifes. Lideradada por Pablues, a banda apresentou um show impecável, construído minuciosamente. A gaita desenhava o blues rock, as músicas balançavam o público, o palco se enchia de vibração. Os patifes fizeram bonito, mostrou que no interior também tem rock, e se depender do grupo, rock muito bem feito. E o som também abraçou o lugar, se misturou entre as cadeiras teatrais, embriagou os presentes, surpreendeu quem a via pela primeira vez.


   E quem foi que disse que ao rock só resta os porões, garagens e bares undergrounds? A Declinium e a Clube de Patfies provaram que o tal do rock n'roll também combina muito bem com livros.  


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Inteiramente humano

Era com olhar cabisbaixo que ele olhava entre uma fresta de luz, essa luz quase perdida entre a obscura sociedade. Ele era gente como eu e como você, era pessoa completa, nem meio, nem nada, era por inteiro gente, era totalmente humano. Mas estranhava o desapontamento que causava naqueles que eram gente pela metade. Os rostos que olhavam pra ele às vezes gargalhavam, causavam-lhe vergonha, outras vezes gritavam ofensas, causavam-lhe dor.
E não era que isso acontecia só com ele, não, não, era com vários, com aqueles que ousavam ser diferentes. Parecia que a diferença era doença crônica, parecia até que somos todos iguaiszinhos. É engraçado até, como aquela gente pela metade pensava, pensava que a cor mais clara era motivo de superioridade, achava que o gênero era razão pra se sentir mais poderoso, dizia por aí que sua conta bancária poderia compra tudo, espalhava mundo afora que sua aparência abria todas as portas.
E essa historia foi se espalhando, ganhando boca do povo, ganhando rua e viela, e até a gente inteira já não se achava completa, preto começou a sentir vergonha de sua cor. Essa história foi longe, correu, correu, correu cidade, correu vila, fugaz, arisca, danada, história mal contada conseguiu encharcar pensamento humano, conseguiu apagar a metade dos homens.
E hoje em dia como é que anda? Meio aqui, meio acolá. Esse papo é meio brabo, mas é preciso ser cutucado, com vara curta, de preferência, que é pra ele se desenrolar. E ele, que olhava pela fresta de luz começa a perceber que essa luz ganha mais força, é um sinal, de que o mundo está a caminho de um lugar mais claro, sem escuridão nem nada, sem idéia errada de gente que não é inteira.
E sabe por que essa gente não é completamente gente? Porque pessoa humana, que tem carne, osso, alma e coração, não cospe palavras feias, não exclui nem violenta, essa gente que é metade é porque tá faltando a outra metade que tem emoção. Qual o problema de ter outra cor? Qual o problema de não crer em seu deus? Qual o problema de ter outra forma de amor? No fundo, essa gente toda sabe que não há problema nenhum, não é errado ser diferente, o que falta é esse saber aflorar, extrapolar o lado plástico e puramente mecânico. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Comendo, conversando e postando

   Eu e cozinha fomos feitos um pro outro (mentira), nós nos amamos muito e desse amor já saiu ótimos resultados (meia mentira). Ok, vamos as verdade: a única coisa que eu faço na cozinha e sai bem feito é bolo (de receita pronta mesmo, tá) e sorvete. Mas minha incapacidade como cozinheira não me deixou de fora do Encontro do Ano, sim, o encontro gastronômico mais esperado de todos os tempos: o Comendo, conversando e postando! 
   Quando conheci uma moça chamada Magnólia, a achei um tanto inusitada, sobretudo porque ela tinha mania de quebrar objetos, e sujar mesas de biscoito. O que eu não esperava, era que a tal da Magnólia, com todo seu espírito desastrado, pudesse se sair bem na cozinha. Foi o que eu descobri quando ela começou a postar no 2 Altos  várias receitas com cara de muito boas. E como eu só acredito vendo, digo, provando, tivemos que elaborar um tal encontro para saber se era tudo verdade.
   Mas nesse magnífico evento, também não podia ficar de fora Deise, a menina inteligente dona do Sete Faces, um blog super que supimpa e cheio de coisas legais. Bom, ela não posta receitas no blog, mas me encanta com toda sua desenvoltura com as palavras.
   E num domingo ensolarado, finalmente aconteceu o encontro mais esperado do ano. Cheio de comida e trelelês. Batemos autos papos, sobre... bom, deixa pra lá. Os pratos exóticos e elaborados ficaram por conta das três mestres cuca.

Deise levou um delicioso pavê de chocolate com doce de leite:


Magnólia fez um irresistível bolo de baunilha (com whyski):


E, não menos importante, fui responsável por um saboroso sorvete derretido mousse de maracujá:



PS: Aceitamos encomendas ;)



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Curto e grosso: Sobre Estômago, Rio e Bruna Surfistinha

Obra de 2007, Estômago é dirigido por Marcos Jorge e conta a história de Nonato, um homem que tem a vida norteada pela comida, tudo que ele consegue na vida é através dessa arte, seja as vantagens e as desgraças. Não bastasse a história ser interessante, ela ainda é contada de forma muito boa, através de uma montagem diferenciada, que, não recorrendo a linearidade, produz um paralelo entre as duas fases do personagem. Bom, o  baixo orçamento interferiu na direção de arte, o filme se limita, basicamente, a cenas internas, porém, consegue externar tudo o que Estômago quer mostrar: crueza. Uma trama que envolve sexo, comida e poder não vemos por aí todo dia, por essas e outras, vale muito a pena assistir.

Uma pequena ave azul criada como animal de estimação, acabou adquirindo comportamento humano, e por isso não sabe voar. Sem essa característica natural das aves, Blue, enfrentará dificuldades no Brasil, país que veio pra encontrar uma fêmea correspondente e assim 'salvar a espécie'. Bom, ok, todo mundo sabe a história de Rio. É um filme clichê, super clichê, hiper clichê. A história é sem graça, os personagens são mal desenvolvidos, parece até uma mistura de cópias mal feitas das animações hollywoodianas. O filme é justificado apenas pela bela direção de arte (não é extraordinária, mas é boa, tenhamos que dizer), que aplicou muito bem o 3D.

Eu não sei o que Marcos Baldani pretendia ao dirigir Bruna Surfistinha, mas tudo bem. É um filme meia boca, nem tanto nem tampouco, sabe? Aquela coisa super sem sal. O roteiro foi mal construído, cada ato parece ter sido feito aleatoriamente, não dando uma sensação de segmento na obra, e sim de fragmentação, uma completa desarmonia. Vale um pouco pelas atuações, boas, nada de outro mundo e que mereça aplausos, mas boas. Bruna Surfistina é o típico filme pipoca, que você acaba de ver e surge apenas o vazio na sua mente. Né, eu não esperava muita coisa mesmo.

domingo, 15 de maio de 2011

Rapidinha: Sobre Angles

   Quarto albúm da banda de indie rock americana, Angles começou a ser construído em 2009, mas só saiu do forno em março de 2011. Desde o anúncio que o novo CD do Strokes já estava a venda eu fiquei animadíssima, e eis que surgiu a oportunidade de comprá-lo. Foi um momento cômico, olhava despreocupadamente as prateleiras e dou de cara com um dito cujo, ele olhou pra mim, eu olhei pra ele e abri um sorriso de criança quando ganha pirulito,  o peguei depressa, depressa mesmo, como se ele fosse sumir dalí no próximo instante.
   E então sobre o CD? É um disco subestimado. O que mais eu ouvia por aí era que o Angles fugia dos padrões da banda e não tinha a cara do Strokes. Ou eu estou muito ruim musicalmente, ou estão todos surtados, porque nesse disco eu vi sim a cara da banda. Foi um albúm bem construído, elaborado e, digo mais, sofisticado. 
   Ok, claro, peca em algumas coisinhas e não alcança a maestria de discos anteriores. Mas não tiro o mérito de Angles, é um albúm que consegue ser diferente e ainda assim não fugir à essência. 
   Viciei na Under Cover of Darkness.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Uma vitória pela metade

   Como é sabido, semana passada o STF reconheceu, por unanimidade, a união estável homossexual como entidade familiar, assegurando aos casais gays direitos como possibilidade de pensão alimentícia, herança, partilha de bens e inclusão do cônjuge como dependente. Sem dúvida, uma vitória, não só para a comunidade GLBTT, mas também para o país, que dá um passo a frente para a garantia da igualdade de direitos, foi a vitória da liberdade.
   Liberdade, a mesma justificativa que alguns cidadãos utilizam para fundamentar o seu posicionamento contrário a criminalização da homofobia, dizem por aí que a liberdade de expressão dão a eles o direito de serem contra os gays. Pois é, a decisão do STF gerou uma onda de comemoração por uma parte da população, gente de bom senso, mas os que não compartilham desse privilégio (do tal do bom senso), julgou a ação como o fim do mundo. É, sabemos também que foi uma resposta esperada, mas peraê, eu me indigno: como há gente limitada nesse mundo!
   Notei que a maior parte das cartas de leitores nos jornais eram de pessoas contra a união gay, conservadores que justificam seu posicionamento com as palavras bíblicas, outros que diziam que estamos perdendo os bons costumes. Hoje mesmo, no jornal A Tarde, um leitor fez uma declaração que possuía como título 'tragédia brasileira' e discorria que os valores da família estão se perdendo. Se não fosse lamentável, seria até engraçado perceber que o nosso país está infestado de gente retrógrada e cabeça dura. 
   E sabe como eu classifico isso? Hipocrisia. Pessoas que parecem está descontextualizados do mundo em que vive, fruto de uma sociedade preconceituosa. Uma senhora pronunciou-se no jornal e falou que a mídia está deseducando a população jovem, fazendo com que estes achem que a união homossexual é mais correta do que a união heterossexual. Ora, minha cara, o grande erro social é essa idéia impregnada de certo e errado, 'isso é bom, isso é ruim', não, são idéias assim que nos limita.
   O mais interessante é perceber que nesses mesmos jornais não saiu quase nenhuma carta de leitor que protestasse diante essas acusações infundadas, ou que simplesmente se posicionasse favorável a ação do STF. Será que essa gente normal ficou calada? Ou será que os impressos não deram espaço? Fica a dúvida.
   A decisão da justiça foi uma grande vitória para a sociedade, mas notar que uma grande parcela da população ainda está infectada pelo preconceito tira um pouquinho desse sabor.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Se eu fosse

Dia desses tava olhando o perfil no facebook da colega Saadia, e no 'sobre você' encontrei uma listinha inusitada, intitulada 'se eu fosse'. Como vocês sabem que eu adoro listas, não hesitei e logo respondi. Então, vamos a ela:

Se eu fosse um mês, eu seria: janeiro
Se eu fosse um dia da semana: sábado
Se eu fosse um horário do dia: 18h
Se eu fosse um planeta ou astro: marte
Se eu fosse uma direção: norte
Se eu fosse um móvel: guarda-roupas
Se eu fosse um líquido: Smirnoff Ice
Se eu fosse um pedra: ametista
Se eu fosse uma árvore: jambeiro
Se eu fosse uma fruta: uva
Se eu fosse uma flor: copo-de-leite
Se eu fosse um clima: nublado
Se eu fosse um instrumento musical: contrabaixo
Se eu fosse um elemento: ar
Se eu fosse uma cor: marrom
Se eu fosse um bicho: cachorro
Se eu fosse uma música: Sombras e Luzes
Se eu fosse um sentimento: amor
Se eu fosse um livro: Pequena Abelha
Se eu fosse um lugar: Londres
Se eu fosse um gosto: chocolate meio amargo
Se eu fosse um cheiro: pão-de-queijo
Se eu fosse uma palavra: contemplação
Se eu fosse um objeto: livro
Se eu fosse um verbo: viajar
Se eu fosse uma parte do corpo: boca
Se eu fosse uma expressão facial: sorriso
Se eu fosse um filme: Má Educação
Se eu fosse um número: 8
Se eu fosse uma estação: outono